SANTOS FUTEBOL CLUBE – O PRIMEIRO BRASILEIRO BICAMPEÃO MUNDIAL

Começando a série sobre os campeões mundiais, vamos falar sobre o time que encantou o mundo nos anos 60

*Por Giovanni Romão

O ano era 1962, e a seleção brasileira alcançara o seu bicampeonato mundial no Chile em 17 de junho. O futebol brasileiro estava em alta, com grandes nomes que jogavam em solo verde e amarelo como: Djalma Santos e Ademir da Guia (Palmeiras), Nilton Santos, Didi, Amarildo e Garrincha (Botafogo) e o eterno quinteto mágico da Vila Belmiro composto por Dorval, Melgávio, Pelé, Pepe e Coutinho.

Porém, ainda faltavam duas conquistas para o futebol nacional: a recém-criada Copa Libertadores da América e a Copa Intercontinental (atualmente Mundial de Clubes). No primeiro, o Brasil ficou muito de conquistar logo na segunda edição da competição, com o Palmeiras chegando a final, mas sendo derrotado pelo Peñarol do Uruguai, que viria faturar seu bicampeonato. Vivendo uma época mágica no futebol mundial, o Santos de Pelé e cia ficou encarregado de trazer ao Brasil o primeiro troféu da libertadores.

Na final, o peixe enfrentou o mesmo Peñarol, carrasco palmeirense da final anterior, e que almejava seu 3° título seguido. A primeira partida da final foi disputada em Montevidéu, em 28 de julho, com vitória santista por 2 a 1 de virada, ambos feitos por Coutinho. O segundo jogo ocorreu em 02 de agosto, na Vila Belmiro, que terminou em vitória para os uruguaios por 3 a 2. Sendo assim, foi realizado um jogo extra, no Estádio Monumental de Nuñez, na Argentina, para decidir o campeão da américa em 1962. O jogo foi disputado em 30 de agosto, e terminou com vitória alvinegra por 3 a 0, gol contra do meia Omar Caetano e dois de Pelé. O Brasil conquistava pela primeira vez o continente sul-americano. Agora restava conquistar o mundo.

1962 – A PRIMEIRA ESTRELA DOURADA

Santos x Benfica se enfrentando em 1962

O encontro de Pelé com Eusébio

O adversário santista na Copa Intercontinental seria o Benfica de Portugal, que conquistara seu bicampeonato da Taça dos Clubes Campeões Europeus (atual UEFA Champions League) em cima do Real Madrid com uma vitória por 5 a 3. O primeiro jogo seria disputado no Maracanã (Brasil) e o segundo no Estádio da Luz (Portugal). O confronto marcava o encontro da geração santista com a geração portuguesa, o grande embate entre Pelé contra Eusébio, vulgo Pantera Negra.


Gylmar; Lima, Mauro, Zito, Dalmo; Zito, Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pepe e Pelé, técnico: Lula Pereira. Time-base de um dos maiores esquadrões da história do futebol.

O jogo da volta aconteceu em 11 de outubro, no Estádio da Luz, em Lisboa. Enquanto todos aguardavam mais um jogo sendo decidido nos detalhes, o que foi visto foi um passeio do 11 santista em Portugal, que venceu por 5 a 2 na casa do adversário, com direito a hat-trick de Pelé, levando o Santos a se sagrar campeão mundial de 1962. Era a primeira conquista brasileira na competição.


Fichas técnica – Copa Intercontinental 1962

19/09/1962 – Santos 3 x 2 Benfica-POR
Gols: Pelé aos 31min do primeiro tempo; Santana aos 14min, Coutinho aos 19min, Pelé aos 41min e Santana aos 42min do segundo tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Árbitro: Ruben Cabrera (Paraguai)
Renda: Cr$ 31.205.110,00
Público: 86.047 pagantes, total de 94.129
Santos: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: José Rita; Angelo, Humberto, Raúl e Cruz; Cavem e Coluna; José Augusto, Santana, Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera.

11/10/1962 – Benfica-POR 2 x 5 Santos
Gols: Pelé aos 17min e aos 27min do primeiro tempo; Coutinho aos 3min, Pelé aos 20min, Pepe aos 32min, Eusébio aos 41min e Simões aos 44min do segundo tempo.
Local: Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal.
Público: 73.000 aproximadamente
Árbitro: Pierre Schinter (França)
Santos: Gilmar; Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Cavem e Jacinto, José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.

1963 – A SEGUNDA ESTRELA DOURADA

Repetindo a temporada anterior, o Santos voltou a se sagrar campeão da libertadores, sendo essa a segunda seguida, ao derrotar o Boca Juniors na grande decisão. O jogo de ida aconteceu em 04 de setembro, no Maracanã, terminando em vitória alvinegra por 3 a 2, com gols de Coutinho (2) e Lima. A volta aconteceu em 11 de setembro, na La Bombonera, em dia que se tornou histórico para o futebol brasileiro, pois com a vitória santista de virada por 2 a 1 (gols de Coutinho e Pelé), essa foi a primeira vitória brasileira em torneios oficiais no estádio do Boca Juniors, e até hoje o único brasileiro a erguer o título da libertadores em plena La Bombonera.

Pelé e Giovanni Trapattoni (Acervo Santista)

O adversário santista na grande decisão seria o Milan, que também vivia uma fase mágina na Europa e conquistara seu primeiro título europeu, desbancando o forte Benfica de Eusébio na decisão, em Wembley. Esse seria mais um confronto que prometia fortes emoções, pois colocava a já consagrada geração santista contra a geração italiana formada por Mazzola, Maldini, Rivera, Trapattoni e do brasileiro Amarildo.

O primeiro embate aconteceu no Estádio Giuseppe Meazza, em Milão, em 16 de outubro, terminado com vitória da equipe italiana por 4 a 2, e parecia que tudo iria por água abaixo, isso porque Pelé se lesionou na primeira partida, ficando de fora do jogo da volta. A segunda partida aconteceu em 14 de novembro, no Maracanã lotado para um jogo que seria histórico ao alvinegro praiano. Após estar saindo atrás do placar por 2 a 0, o time santista não abaixou a cabeça e foi em busca da virada. Em 20 minutos, o Santos virou o jogo para 4 a 2, gols de Pepe (2), Almir Pernambuquinho e Lima. Mesmo sem Pelé, o capitão Zito e Calvet, e enfrentando uma forte chuva que caíra no Rio de Janeiro nesse dia, o peixe forçou a realização do jogo de desempate, que seria realizado novamente no Maracanã.

E chegou o grande dia! 16 de novembro, novamente no Maracanã, o Santos que jogava sem a ilustre presença de Pelé, enfrentou o Milan no jogo derradeiro.  Aos 31 minutos da primeira etapa, Almir Pernambuquinho foi derrubado por Maldini dentro da área, sendo assinalado pênalti para o alvinegro praiano. O lateral-esquerdo Dalmo converteu a penalidade, que daria o histórico bicampeonato ao Santos Futebol Clube.

Elenco santista comemorando o bicampeonato mundial no Maracanã

Entretanto, o torcedor santista lembra com carinho desses títulos que foram fundamentais para colocar o futebol brasileiro na prateleira de grande força no cenário mundial, e também porque marcou a época onde os europeus também valorizavam a competição, e tínhamos grandes embates entre sul-americanos e europeus, com grande destaque para a realização das partidas de ida e volta, algo que durou até 1979, no ano seguinte começaram as decisões serem realizadas em jogo único no Estádio Olímpico de Tóquio.

Fichas técnica – Copa Intercontinental 1963

16/10/1963 – Milan-ITA 4 x 2 Santos
Gols: Trapattoni aos 3min e Amarildo aos 15min do primeiro tempo; Pelé aos 10min, Amarildo aos 23min, Mora aos 37min e Pelé de pênalti aos 39min do segundo tempo.
Local: Estádio San Siro, em Milão, Itália.
Público: 51.957 pagantes
Renda: Cr$ 280.000.000,00
Árbitro: Alfred Haberfellner (Áustria)
Milan: Ghezzi; David, Trapattoni, Maldini e Trebbi; Pelagalli e Rivera; Mora, Lodetti, Altafini e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia
Santos: Gilmar; Lima, Haroldo, Calvet e Geraldino; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

14/11/1963 – Santos 4 x 2 Milan-ITA
Gols: Mazzola aos 12min e Mora aos 17min do primeiro tempo; Pepe aos 5min e aos 22min, Almir aos 9min e Lima aos 18min do segundo tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Público: 132.728 pagantes (150.000 pessoas)
Renda: Cr$ 98.075.500,00
Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)
Santos: Gilmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula
Milan: Ghezzi; Davi, Maldini e Trebi; Trapattoni e Pelagalli; Mora, Lodetti, Rivera, Mazzola e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia

16/11/1963 – Santos 1 x 0 Milan-ITA
Gol: Dalmo de pênalti aos 34min do primeiro tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Público: 120.421 pagantes + 8.835 gratuitos (129.252)
Renda: Cr$ 91.546.000,00
Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)
Expulsos: Maldini e Ismael
Santos: Gilmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula
Milan: Balzarini (Barluzzi); Davi, Maldini e Trebi; Trapattoni e Pelagalli; Mora, Lodetti, Fortunato, Mazzola e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia
– Ocorrências: No primeiro tempo a partida esteve paralisada por dez minutos e meio, sendo três quanto a expulsão de Maldini e dois e meio na expulsão de Ismael, e, cindo devido a desentendimentos. Juan Brozzi descontou o tempo corretamente.

Créditos as fichas técnica: Acervo Histórico do Santos FC


Jornal destacando o título santista sobre o Milan (Foto: Bruno Gutierrez)

Publicado por Pedro Henrique

Meu nome é Pedro Henrique, também conhecido como grunge, vamos falar sobre muitos esportes aqui na pagína. Fiquem ligados!

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