No início dos anos 90 e em 2005, o mundo foi comandado pelo São Paulo Futebol Clube
No começo dos anos 90 e em 2005, uma força moveu o mundo, comandada por Telê Santana, Raí, Rogério Ceni entre outros, o São Paulo foi e ainda continua sendo o único time brasileiro três vezes campeão mundial. Batendo grandes times da Europa como Barcelona, Milan e Liverpool. Vamos relembrar um por um, esses campeonatos e as campanhas que levaram a eles.
1992 – ‘Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari’
Essa frase é do técnico do Barcelona na época, ninguém menos que Johan Cruyff, se rendendo aquela maquina vinda do Brasil, chamada São Paulo. Mas como os comandados de Telê chegaram lá?
Essa história começa num lugar um pouco improvável. O hoje estádio Nabi Abi Chedid, na época Marcelo Stefani em Bragança Paulista, local onde o São Paulo levantou a taça de campeão brasileiro de 1991, empatando em 0x0 com o Bragantino de Carlos Alberto Parreira. Classificado para a Libertadores de 1992, o São Paulo teria o surpreendente Criciúma de Felipão que havia ganho a Copa do Brasil do ano anterior, o Bolívar e o San José de Oruro na sua chave.

A campanha rumo ao título
Telê Santana não era muito adepto da Libertadores, que segundo ele era muito violenta e disse que não iria dar muita prioridade ao torneio, isso ficou claro logo no primeiro jogo. 3×0 para o Criciúma na capital do carvão.
Porém, o time não teve mais dificuldades no grupo, devolveu 4×0 contra os catarinenses no Morumbi e lidou facilmente com os bolivianos, se classificando em segundo com 8 pontos.
Nas oitavas, viria o tradicional Nacional de Montevideo, mas o São Paulo não reconheceu os uruguaios e venceu os dois jogos por 1 e 2×0 respectivamente.
Nas quartas, novo confronto com o Criciúma, agora levando a Libertadores a sério, Macedo fez o gol da vitória triclor por 1×0 no Morumbi e com um empate em 1×1 no Heriberto Hulse, a sensação da Libertadores dava adeus a competição.
Na semi, veio o Barcelona de Guayaquil. Muller em dia inspiradíssimo ajudou o tricolor a golear os equatorianos em 3×0 e mesmo perdendo o segundo jogo por 2×0, o São Paulo chegava a sua segunda final de Libertadores na história e de novo contra um argentino. Desse vez, o Newell’s Old Boys de Rosário.
No Colosso Del Parque pelo primeiro jogo, Berizo fez o gol do jogo e os argentinos jogavam por um empate num Morumbi abarrotado com quase 115 mil pessoas. O empate perdurou até os 20 minutos do segundo tempo, quando de pênalti Raí fez 1×0. O jogo assim terminou e nos pênaltis para o delírio de todos no Brasil, o São Paulo ganhou por 3×2 e se garantiu em Tóquio para enfrentar o Barcelona

A Glória da Libertadores
Um adversário nem tão novo assim
Na edição inaugural da Liga dos Campeões da UEFA, o bom time do Barcelona que contava com Stoitchkov, Laudrup, Zubizarreta, entre outros, teve muito trabalho ,batendo a Sampdoria em Wembley apenas na prorrogação.
No torneio amistoso Tereza Herrera na pré temporada europeia, São Paulo e Barcelona se enfrentaram e os espanhóis já tiveram uma prévia do que iria ocorrer no Japão em dezembro. Impiedosos 4×1 com um show de Raí que fez 2 gols e Muller.
O grande dia
Então em 13 de dezembro de 1992, São Paulo e Barcelona se alinhavam em Tóquio para a final do Mundial.
O São Paulo foi com: Zetti, Vitor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Toninho Cerezo (Dinho), Pintado e Raí; Cafu, Palhinha e Muller.
Os catalães alinharam com: Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Guardiola e Euzébio; Bakero (Goicoechéa), Amor, Witschge e Beguiristiain (Nadal); Stoichkov e Laudrup.
Logo aos 11 minutos, num belo chute de fora da área a inapelável ao goleiro Zetti, Stoichkov pós os espanhóis em vantagem. O São Paulo foi para cima e dominava totalmente o jogo, até que aos 27 o inevitável aconteceu, Muller correu até a linha de fundo, cruzou e bola encontrou o peito de Raí que empatara o jogo. O tricolor continuo sufocando, até que veio aquela falta.
A falta que todo o torcedor lembra com o maior dos carinhos, onde Raí deixou Zubizarreta estático no chão, a bola foi onde a coruja dorme, era a virada tricolor e o jogo assim ficaria, o São Paulo, incontestavelmente o melhor time do mundo em 1992 bateu o Barcelona por 2×1.

1993 – A consagração
Na Libertadores de 1993, na condição de atual campeão, o São Paulo entraria apenas nas oitavas de final. Enfrentaria um adversário bem conhecido. O Newell’s novamente. E dessa vez os argentinos fizeram 2×0 em Rosário. Mas nada pararia Raí no Morumbi e com 2 gols dele, um de Cafú e outro de Dinho, o tricolor fez 4×0 e novamente despachou os argentinos.
Nas quartas, clássico nacional. São Paulo x Flamengo. No primeiro jogo no Maracanã, muito equilibrado, os paulistas até saíram na frente com Palhinha, mas Nélio empatou para os cariocas e assim ficou para a decisão no Morumbi, novamente lotado.
O Flamengo era o atual campeão brasileiro e tinha craques como Zinho, Marcelinho Carioca, Renato Gaúcho e Gilmar, foi um jogo bastante complicado e bem pegado, mas a qualidade do time armado por Telê se sobressaiu e com gols de Cafú e Muller, o São Paulo se classificava as semis com os 2×0.
Jogo esse que seria contra o Cerro Porteno. No Morumbi, Raí fez o gol solitário, num jogo onde o SP abusou de perder chances, o zero não saiu do placar em Assunção e o São Paulo chegava a sua terceira final na história, dessa vez contra os chilenos do Universidad Católica.
Apesar de ter católica no nome, Deus parece ter torcido para o São Paulo no primeiro jogo, pois o que se viu no novamente abarrotado Morumbi foi um massacre épico numa final de Libertadores. 5×1. Lópes contra, Dinho, Gilmar, Raí e Muller fizeram os gols tricolores, enquanto Almada diminuiu em pênalti duvidoso. A final tinha sido decidida ali e os 2×0 que a Católica fez no segundo jogo foi anônimo. O São Paulo era bi campeão da Libertadores, igualando feito que na época só o Santos de Pelé tinha feito.

“Questo gol é per te, buffone”
Outro feito do Santos dos anos 60, foi ter sido bi campeão mundial e o São Paulo estava lá contra a Milan para buscar repetir este feito para o futebol brasileiro.
Os italianos, apesar de ter um dos melhores times da Europa, não tinha sido campeões da UCL, perderam para o Olympique de Marselha, porém os franceses tiveram o título caçado após um escândalo de manipulação de resultados na França e por tanto a Milan representaria a Europa naquele jogo.
E QUE JOGO MEUS AMIGOS!
O São Paulo foi com: Zetti; Cafu, Válber, Ronaldão e André Luiz; Doriva, Dinho, Toninho Cerezo e Leonardo; Muller e Palhinha (Juninho)
Os Rossoneri entraram com: Rossi; Panucci, Costacurta, Baresi e Maldini; Albertini (Orlando), Donadoni e Desailly; Massaro, Papin e Raduciou (Tassoti)
Aos 19 minutos, Cafú achou Palinha na grande área que fuzilou Rossi, São Paulo 1×0. Mas a Milan era guerreira e Massaro empatou logo aos 3 minutos do segundo tempo. Não demorou muito, exatos 8 minutos para Leonardo cruzar e encontrar o veteraníssimo Toninho Cerezo e recolocar o São Paulo na frente, mas os italianos não desistiram Papin aos 36 empatou, e quando tudo parecia se encaminhar para a prorrogação, Muller com a canela ou seja lá como foi, fez o terceiro gol. Costacurta que marcou o atacante sãopaulino e jogo todo, ouviu essa frase que inicia essa seção. A euforia era enorme, o apito final veio, o São Paulo de Telê igualara o Santos de Pelé, era também bi campeão mundial.

Foto dos Bicampeões do Mundo
Essa história poderia acabar aqui não? Não, não vai.
12 anos depois, com o terceiro lugar do Brasileirão de 2004, o São Paulo estaria na Libertadores novamente. Dessa vez com nomes como Rogério Ceni, Lugano, Luizão e Mineiro. Os nomes mudaram mas a disposição não. O tri era questão de tempo.
E Ele começou no grupo 3 ao lado de The Strongest, Quilmes e Universidad de Chile.
Fazendo 12 pontos, o São Paulo sobrou e passou em primeiro na chave, nas oitavas viria nada mais nada menos que um Choque Rei.
No primeiro jogo no Pq. Antártica, numa época onde o São Paulo ganhava clássicos fora de casa, Cicinho meteu um balaço no ângulo de Marcos e garantiu o 1×0. No Morumbi, o mesmo Cicinho e depois Rogério Ceni de pênalti fizeram 2×0 e pela terceira vez em três oportunidades, o São Paulo despachava o Palmeiras numa Libertadores.
Nas quartas, o Tigres do México, assim como o São Paulo, era o outro invicto no certame. Mas a invencibilidade dos mexicanos acabou nas mãos do goleiro artilheiro. Rogério fez 2 gols, e ainda errou um pênalti nos 4×0 que o São Paulo aplicou. A nossa invencibilidade também acabou no jogo de volta, mas os 2×1 que os mexicanos fizeram, não lhes valeram de nada.
Na semi, o jogo mais esperado. São Paulo x River Plate. Um jogo com muita tradição. No Morumbi, apesar da péssima arbitragem Danilo e Rogério de pênalti, fizeram 2×0. No Monumental, Amoroso que havia estreiado no São Paulo no primeiro jogo e reeditando dupla de ataque de muito sucesso com Luizão dos tempos de Guarani, fez o seu, e junto com Danilo e Fabão ajudou nos 3×2 que o São Paulo fez.
A final seria contra o surpreendente Atlético PR. Como não tinha capacidade na sua Arena da Baixada, o primeiro jogo saiu de Curitiba para Porto Alegre, numa peleja nervosa, Aloísio (que na época estava no CAP) e Durval contra, fizeram os gols. 1×1.
No Morumbi lotado, um passeio. Amoroso, Luizão, Fabão e Diego Tardeli fizeram 4×0 e o tricolor paulista era o primeiro time brasileiro a ser tri campeão da Libertadores.

Loucura total no Morumbi, o São Paulo foi tri campeão da Libertadores
2005 – O mundo é seu torcedor tricolor
Faltava agora ser o primeiro brasileiro a ser tri campeão mundial e para 2005 a FIFA, fez o Mundial em um novo formato. Agora, times de todos os continentes jogariam. O São Paulo estreiou nas semis contra o Al Ittihad, da Arábia Saudita e campeão da Ásia. Apesar de ter tomado 2 gols, o jogo foi controlado e o São Paulo ganhou de 3×2.
Na final o adversário seria o Liverpool, que eliminou o Saprissa da Costa Rica e campeão da Concacaf e vencera a UCL contra a Milan em uma final épica onde perdendo de 3×0, empatou e ganhou nos pênaltis.
Devido ao êxodo dos jogadores brasileiros para o futebol europeu e também o dinheiros dos clubes do velho continente, o jogo seria jogado com total favoritismo dos Reds. E foi um sufoco, até que aos 28 minutos do primeiro tempo, Aloísio dando uma de Ronaldinho do Paraguai (segundo ele mesmo) lançou Mineiro que tocou na saída de Reina. São Paulo 1×0. Rogério Ceni teve papel fundamental na manutenção desse placar, fazendo defesas monumentais que garantiram o que até hoje nenhum time nacional conseguiu. O tri campeonato mundial.

Rogério Ceni se consagra como o maior jogador a usar o uniforme tricolor e levanta o tri mundial