Michael Schumacher, 51 anos da lenda

No primeiro artigo sobre F1 no site, vamos aproveitar o gancho do aniversário de 51 anos desse grande gênio das pistas e contar um pouco sobre a sua história e suas polêmicas

No dia 3 de janeiro de 1969, na cidade alemã de Hürth na Vestfália, nascia Michael Schumacher.

Filho de um administrador de um kartodrómo na área, foi muito fácil para Schumi escolher o que iria fazer no futuro. E aos 4 anos ganhou seu primeiro kart.

O início e o mundial de protótipos

Correndo na Formula König em 1987, ganhou seu primeiro título, e nos próximos anos disputou a Formula Ford e a F3, sendo vice e terceiro respectivamente em 88 e 89, porém, campeão da F3 em 1990.

Isso chamou a atenção da Mercedes que o contratou para o seu programa de jovens pilotos e em 1991 disputara o mundial de protótipos. Destaque para as 24 horas de Le Mans daquele ano, onde em parceria com a Sauber a Mercedes lançou Schumacher para o mundo, juntamente com Karl Wendlinger e Fritz Kreuthpointer. O trio terminou a corrida, ficando em quinto lugar no geral, a prova foi vencida pelo trio da Mazda com o seu lendário 787B com Johnny Herbert, Volker Weidler e Bertrand Gachot.

1991 Le Mans 24 hours. Le Mans, France. 22nd – 23rd June 1991. Karl Wendlinger / Michael Schumacher / Fritz Kreutzpointner (Mercedes-Benz C11), 5th position, action. World Copyright: LAT Photographic. Ref: 91LM36.

Gachot seria muito importante na vida de Schumacher, mas por um motivo muito indigesto para o belga…

O ingresso na F1

Em 10 de dezembro de 1990, nas férias da temporada de F1, Gachot se envolveu em uma briga com um taxista em Londres, bem na frente do Palácio de Buckingham. Os dois trocaram socos e o piloto aplicou spray de pimenta nos olhos do taxista.

O julgamento ocorreu apenas em agosto do ano seguinte e o resultado foi pior ainda do que brigar em um dos pontos mais famosos da capital britânica. 6 meses de prisão por posse ilegal de armas (o spray de pimenta). Enquanto Gachot estava na prisão mais barra pesada do Reino Unido, a Jordan que era a equipe dele, contratou o jovem Michael Schumacher não sem antes receber uma pequena bolada de 300 mil dólares pelo assento.

Tudo começou no GP da Bélgica de 1991, e Schumacher já chama atenção marcando o 7° tempo na qualificação. Infelizmente a embreagem da Jordan-Ford do alemão não colaborou e ele ficou mesmo na primeira volta. Mas isso pouco faria diferença, por que sua atuação nos treinos já haviam chamado a atenção de Flávio Briatore, a época chefe da Benetton, que mandou embora Roberto Moreno e contratou o alemão já na Itália, onde não decepciona o chefe e fecha a corrida em 5°, somando seus primeiros pontos na categoria mais importante do automobilismo mundial.

O início do auge

Em 1992, a Benetton tinha um carro para competir com as McLarens pelo segundo posto da temporada (Já que nada bateria as Williams).

Schumacher faz temporada consistente, conquistando 8 de 16 pódiums e foi dos raros vencedores da temporada que não era da escuderia de Frank Williams, ganhando justamente onde estreou na Bélgica. Batendo o campeão daquela temporada Nigel Mansell por esclarecedores 36 segundos. A curiosidade é que essa foi a 1ª vitória de um piloto alemão desde o GP da Espanha de 1975 ganho por Jochen Mass.

Toda a regularidade da temporada, fizeram Schumacher ficar em 3° no mundial de pilotos com 53 pontos, 3 a mais que Ayrton Senna.

Em 1993, fez boas corridas e inclusive ganhou no Estoril, mas o carro não era confiável e o alemão sofreu com várias quebras durante o ano. O que lhe garantiu apenas o 4° posto no mundial, vencido pela  4ª vez por Alain Prost.

Os primeiros títulos e as primeiras polêmicas

Para muitos, e com razão, 1994 foi um ano macabro na história da categoria. Cansada das Williams com suspensão ativa e outras tecnologias, a FIA baniu, todas as ajudas eletrônicas para 94.

Logo no GP de estreia, em Interlagos, Schumacher fez um abastecimento da corrida que foi mais rápido que o normal e isso suscitou suspeitas em Senna de que talvez o modelo B194 da Benetton, tivesse com a bomba de combustível violando as regras da competição.

Schumacher venceu esse e todos os próximos 3 Gps aquele ano, porém em decorrência dos acidentes que levaram a vida Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em Ímola, a FIA resolveu introduzir em caráter de emergência, mudanças nos carro para aumentar a segurança.

Um desses itens a prancha de madeira, seria mais uma das inúmeras polêmicas que a Benetton e Schumacher se envolveram a partir do GP da França (vencido pelo alemão aliás)

O primeiro problema veio já no fatídico GP de San Marino, onde por ordem da FIA, os três primeiros tiveram que entregar a entidade a centralina eletrônica dos carros para análise. No carro de Schumacher os fiscais encontraram uma opção oculta de número 13 no volante que seria para controle de largada, algo que era proibido. A FIA achou que não foi usado esse controle e apenas multou a escuderia em U$$100 mil, com condição que retirassem tudo até o GP da Bélgica.

Mas, no GP da Grã Bretanha, Schumacher ultrapassou o pole Damon Hill ainda na volta de apresentação, foi aplicado um Stop & Go, o que significa que o alemão deveria ficar parado por 10 segundos no boxes, mas a equipe não cumpriu e então Schumacher recebeu uma bandeira preta e foi desqualificado daquele grande prêmio. A punição pós corrida foi ainda mais severa, Schumacher foi suspenso por 2 corridas (Itália e Portugal).

Na Alemanha, um grande incêndio irrompeu na Benetton do seu companheiro de equipe, Jos Verstappen na hora do abastecimento. Isso ocorreu por que um detrito entrou na bomba que estava sem o filtro de reabastecimento. Exatamente como Senna havia suspeitado meses antes na corrida em Interlagos. Mas como a fornecedora das bombas havia autorizado a equipe Larrousse a fazer o mesmo em maio, a FIA resolveu não punir a equipe. Mas Schumacher e a Benetton não escaparam no GP da Bélgica.

Schumacher ganhou, mas foi novamente desclassificado, por que a FIA notou que a prancha de madeira estava com um desgaste maior que o permitido. Mesmo com os argumentos da equipe italiana, a FIA não se convenceu e caçou a vitória do alemão.

Todas essas polêmicas, suspensões e desclassificações, ajudaram e muito Damon Hill que ganhou 6 corridas e chegou na última etapa em Adelaide, separado por apenas 1 ponto de Schumacher. Então veio a última polêmica da conturbada temporada de 1994 da Formula 1.

Na volta 36, Schumacher liderava com Hill logo atrás, o alemão deu um leve toque no muro o que deu a oportunidade que o britânico tanto quis para passar, porém na curva seguinte, Schumi fechou Hill,que o tocou. Isso forçou os dois a abandonarem. Schumacher era campeão mundial.

Em 1995, sem maiores problemas e polêmicas, o B195 empurrado agora pelo motor Renault, deu o segundo título a Schumacher com acachapantes 9 vitórias em 17 corridas e 102 pontos, contra 69 de Hill que foi o vice.

Era Ferrari

Em 1996, Schumacher e quase toda equipe de mecânicos da Benetton foram para a escuderia mais tradicional do automobilismo. A Ferrari.

O primeiro ano não foi muito bom, muitos problemas levaram Schumacher apenas ao 3° posto na temporada, com 59 pontos, ficando atrás da dupla da Williams de Damon Hill e Jacques Villeneuve respectivamente.

Para o ano seguinte, a concorrência com a Williams continuava grande, mas como Hill foi para a Arrows, o rival da vez seria o canadense Villeneuve, a temporada pegou fogo, com as vitórias quase sempre repartidas entre os dois pilotos. Então ambos chegaram a Jerez de La Frontera na Espanha para disputar a última etapa, o GP da Europa com o alemão tendo uma vantagem de um ponto. 78×77.

A corrida já mostrou que seria quente quando Schumacher, Villeneuve e Frentzen marcaram exatamente  1:21:072 nos treinos classificatórios. Frente a essa situação inacreditável, a FIA deu a pole ao canadense, pois marcou o tempo antes dos dois. Schumacher fechava a primeira fila e Frentzen se contentou com a terceira colocação.

Disputada em um calor de fazer fritar ovo no asfalto, a corrida começou e ficou claro que o pega seria pesado entre Schumacher e Villeneuve pegando mais fogo ainda.

Na volta 48, veio o clímax da temporada. Chegando na curva Dry Sac, o canadense tentou ultrapassar Schumacher freando depois, vindo na parte interna da curva, Villeneuve conseguiu passar o alemão, mas foi atingido por ele. Schumacher abandonou ali mesmo, Villeneuve ainda se manteve na pista, mas ficou em terceiro. Já seria o suficiente para o título, mas a FIA não gostou nada do movimento do alemão e puniu severamente o piloto, desclassificando ele da temporada toda, mas mantendo a sua pontuação final de 78 pontos.

Para 1998, novos rivais entrariam no páreo, agora seria a equipe McLaren com o excelente Mika Hakkinen, que era tido como muito promissor e agora estava em busca de seu primeiro titulo.

A superioridade dos carros de Woking era grande, mas mesmo assim Schumacher teve grandes momentos, vencendo 6 corridas e ficando com o vice novamente, somando 86 pontos.

Em 1999, não parecia o ano em que a Ferrari sairia da seca que já durava 19 anos, Schumacher fez um início de temporada mediano, mas mesmo assim era o vice líder quando bateu feio na Grã Bretanha na curva Stowe, acidente esse que quebrou a sua perna esquerda. Ele perderia as próximas 6 provas da temporada e dava adeus a disputa, que foi vencida pela segunda vez por Hakkinen

2000 e o início da dinastia

No ano 2000, Schumacher ganhava como companheiro o brasileiro Rubens Barrichello. Dessa vez a equipe não decepcionou e o F2000 começou muito bem, ganhando as primeiras três corridas. No meio da temporada, as McLarens conseguiram parear a disputa ganhando muitas corridas e colocando o cheque o tri campeonato do alemão. Mas nas últimas 4 etapas, a Ferrari sobrou e Schumacher se sagrava tri campeão mundial com 108 pontos e tirava a equipe de Maranello de uma seca que durava desde 1979.

Em 2001, as McLarens continuavam no páreo com o escocês David Coulthard, mas a Ferrari e Schumacher estavam em estado de graça e o alemão foi tetra campeão facilmente com 123 pontos e nove vitórias.

Mais fácil ainda seria 2002, em que Schumacher igualou o recorde de títulos de Juan Manoel Fangio e chegava a sua quinta conquista. Marcando incríveis 144 pontos, ele foi o campeão mais precoce da história da categoria, ganhando o título na França em 21 de Julho. Mas mesmo assim, houve o que talvez tenha sido a última polêmica da carreira do alemão, que foi a infame vitória em Spielberg na Áustria, onde Barrichello teve que ceder a primeira posição nos metros finais para o alemão por ordem da equipe Ferrari.

2003 talvez tenha sido a temporada mais emocionante desse predomínio que Schumacher teve no início da década de 2000, Kimi Raikkonen na McLaren e Montoya na Williams dificultaram e muito a vida do alemão na temporada, muito pela decisão da FIA de atribuir 8 pontos ao invés de 6 para o segundo colocado das provas, isso fez que com os 8 primeiros pontuassem. Mesmo com a grande temporadas dos pilotos citados, Schumacher venceu 6 corridas, somou 93 pontos, 2 a mais que Kimi e se tornou o primeiro hexa campeão mundial de Formula 1.

Em 2004, o F2004, sobrou tanto que mesmo Rubens Barrichello companheiro de Schumi fez temporada de campeão naquele ano, mas ficou com o vice. Mas uma vez o alemão sobrou. Ganhou 13 corridas, somou 148 pontos e ganhou o último de seus títulos. Foi o primeiro e até hoje único hepta campeão mundial de Formula 1.

O declínio e aposentadoria

Em 2005, a Ferrari teve muitos problemas, principalmente no seu novo carro e com os pneus Bridgestone que eram muito inferiores ao Michelin. Fernando Alonso na Renault ganharia seu primeiro título, com Kimi Raikkonen ficando com o vice. Numa longínqua terceira posição, com apenas 1 vitória (No GP dos EUA, onde correram apenas 6 carros, pois a Michelin alegou falta de segurança e não autorizou os seus a correrem) ficou Schumacher, com 62 pontos.

Para 2006, a Ferrari acertou novamente a mão e o F2006 era um bom carro. Mas a Renault com seu R26 também era e a briga foi muito boa. Schumacher teve a faca e o queijo na mão para o titulo, no GP do Japão onde liderava com folga, mas o seu motor explodiu, fazendo com que o titulo caísse quase que no colo de Fernando Alonso, que bastaria terminar pontuando no Brasil para ser campeão. Após a corrida em Interlagos, Schumacher decidiu se retirar das pistas. Mas por enquanto.

Volta e tragédia

Em 2010, Schumacher retornou a F1 pela Mercedes, a mesma que o revelou com os protótipos no começo dos anos 1990. Mas sua segunda passagem pela F1, não teve nada de relevante e nos três anos que correu, fez apenas um terceiro lugar no GP da Europa de 2012.

Em 29 de dezembro de 2013, enquanto esquiava na estação de Meribel, nos Alpes franceses, Schumacher se envolveu num grave acidente, onde bateu a cabeça contra uma rocha. Seu estado de saúde até hoje é uma incógnita e muitos pensam que ele até mesmo já faleceu.

Será que poderemos ver Schumacher novamente um dia?

Publicado por Pedro Henrique

Meu nome é Pedro Henrique, também conhecido como grunge, vamos falar sobre muitos esportes aqui na pagína. Fiquem ligados!

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