Ontem dia 27/01, um dos times mais tradicionais do interior paulista, completou 93 anos. Vamos conhecer sua história
*Colaborou Giovanni Romão para a pesquisa sobre a história do clube
No futebol brasileiro e principalmente no interior, completar 93 anos de história é uma tarefa árdua e quase hercúlea. Hoje, são pouquíssimas as cidades do interior que possuem um clube (visto dos que haviam até os anos 70/80).
Pessoalmente, esse que vos escreve tem uma feição pelo Primavera que começou no ano passado, quando comecei a frequentar Indaiatuba e fui ver alguns jogos do Fantasma da Ituana na Copinha. Foi uma experiência tão gostosa que passei a ir em alguns jogos como visitante deles na A3. Nunca tinha visto como era uma torcida de time do interior e descobri que é algo fascinante.

A história do Primavera
A cidade de Indaiatuba teve como seu primeiro representante o Sport Club Primavera, fundado em 1908, mas extinto no ano seguinte. O tempo foi passando e, na década de 1920, dois outros times começaram a se destacar: o Indaiatubano Futebol Clube, fundado em 1916, e o Corinthians Futebol Clube, fundado em 1918. Decidiu-se então, em 27 de janeiro de 1927, pela união das duas equipes, o surgimento do Esporte Clube Primavera, cujo nome homenageava o time que iniciou o futebol no município. Já as cores que ostenta – vermelho, preto e branco – são herança de seus antecessores.
O Esporte Clube Primavera, na sua jornada, conquistou, em 1944, o título de campeão amador da 15ª região; classificando-se, nesse mesmo ano, em quarto lugar na classificação pelo Campeonato Amador do Interior; foi campeão da 4ª Região. Em 1949, conquistou o título de campeão da série “Carlos Rolim”, sangrando-se também campeão da 4ª Região. Conquistou 193 troféus em sua trajetória esportiva.
A primeira participação do Fantasma da Ituana (como é conhecido o clube) em competições profissionais organizadas pela Federação Paulista de Futebol (FPF) foi em 1952, no Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Entretanto, sem conseguir manter uma seqüência, o clube disputou apenas outras duas vezes a Terceira Divisão, em 1954 e 1958, passando por um período de pouco menos de duas décadas sem competir profissionalmente, até 1975.

A retomada deu-se em 1976, no Campeonato Paulista da Segunda Divisão. No ano seguinte, a equipe chegou ao seu primeiro título e, consequentemente, conseguiu o acesso à Primeira Divisão, atual Série A3. Em 1982, o Primavera ficou muito próximo do acesso a Primeira Divisão do Campeonato Paulista, quando empatou os três jogos contra o Mogi Mirim na final do Grupo Branco, quando precisava apenas de uma vitória para poder avançar a fase final do certame. O Fantasma disputou a atual Série A2 até 1987, quando após uma nova reformulação nas divisões acabou voltando para a Terceira Divisão, em 1988.
Em 1989 e 1990, o clube teve mais uma pausa em seu futebol profissional, retornando em 1991, na Segunda Divisão. O Primavera permaneceu no torneio até 1993, quando o campeonato trocou de nome mais uma vez e o time passou a disputar a Série B1. Em 1995, em meio a uma das maiores crises financeiras de sua história, o Fantasma não abaixou a cabeça e se tornou campeão da Série B1-B. Porém, em 1996, a equipe se afastou mais uma vez das competições oficiais e no ano seguinte disputou a Série B1-B. Em 1998 voltou a se afastar do profissional pela última vez, quando retornou em 1999 para ficar ativo de vez até os dias de hoje.
No ano de 2001, o clube alcançou o título da Série B-2, conquistando o direito de participar do Campeonato Paulista da Série B-1 no ano seguinte. Dois anos mais tarde, o Primavera sagrou-se vice-campeão, alcançando o acesso à Série A3, competição que disputou nos três anos seguintes. Em 2004, o Fantasma ficou perto de voltar para a Série A2, se classificando para a fase final do campeonato, mas não conseguindo sucesso.
Após isso, o Tricolor Indaiatubano enfrentaria anos sofríveis pela frente: Em 2005 e 2006 escapou do rebaixamento no sufoco, mas em 2007 não escapou e acabou sendo rebaixado para a Segunda Divisão. Os dois anos seguintes foram considerados os piores da história, isso porque houve uma parceria com a Racing Santander, onde além de modificarem o escudo e cores do clube, resultaram em derrotas e goleadas sofridas no campeonato. Em 2010, após fim da parceria, o Primavera passou a caminhar com suas próprias pernas, e teve uma boa ressalva: A excelente campanha na Segunda Divisão quase rendeu o acesso de volta para a Série A3, impedido por crises interna.
Em 2013, novamente o Fantasma passou perto de voltar para a Série A3, sucubindo ao Tupã dentro de casa com um empate em 1 a 1. Mas em 2014, foi o ano da redenção Tricolor: Com uma campanha quase impecável o campeonato todo, o acesso foi conquistado apenas aos 50 minutos do 2° tempo contra o Grêmio Prudente. Em 2015, o Primavera fez uma boa campanha em sua volta a Série A3, o que quase lhe rendeu o acesso para a Série A2, e na sua primeira participação da Copa Paulista, o clube quase passou de fase, sendo eliminado pelo São Bento.
Em 2016, o voltou a ser rebaixado para a Segunda Divisão apenas 2 anos após seu retorno. Contudo, o calvário duraria apenas dois anos, em 2018 o clube retornaria a Série A3 com o título de campeão da Segunda Divisão, conquistado de forma histórica, após vitória de virada nos últimos minutos sobre o Comercial de Ribeirão Preto, em pleno Estádio Palma Travassos.

Um amor de gerações
Nessas minhas andanças por Indaiatuba, conheci o Tiago. Também conhecido como Buda, ele é presidente da torcida Terror Fantasma e segue o Primavera. Tive algumas palavras dele para colocar aqui.
P:Eu queria saber de você, onde vem o amor pelo Primavera
R:O amor ao primavera vem de geração, não só eu mas como a maioria dos integrantes da TTF tem essa história para contar, no meu caso, vem do meu avô, torcedor reconhecido como “1 torcedor fanático pelo clube” onde desde pequeno eu ia acompanhar os jogos do primavera junto a ele.
P:Como e porque fundou a TTF?
R:A TTF foi fundada de um encontro dessas pessoas, que tem como marcar na sua história, como pais, avós, tios, que acompanhavam o primavera e resolveram trazer esse amor deixado de herança.
P:A cidade de Indaiatuba abraça o Primavera e vive versa?
R:Ainda estamos em uma passagem de aceitação da população de Indaiatuba com o primavera, podemos ter de exemplo a copinha, onde tem grande público mas as vezes esse público não sabe o real dia a dia do clube. Acredito que a cidade de Indaiatuba ainda não abraça o primavera, mas o primavera está de portas abertas para abraçar a verdadeira torcida de Indaiatuba.

P:Como é estar com a TTF nos jogos?
R:É inexplicável, só quem está ali no dia a dia dos jogos para saber o real sentimento. Em algumas conversas, chegamos a algumas conclusões de como é fazer parte de uma torcida de um time de uma cidade do interior, na verdade é você ser reconhecido individualmente pela diferença que você faz no clube. Você é quem você é ali dentro e não apenas mais um torcedor, como podemos tirar exemplo de grandes clubes.
Vida longa ao Fantasma da Ituana!