Michael Schumacher, 51 anos da lenda

No primeiro artigo sobre F1 no site, vamos aproveitar o gancho do aniversário de 51 anos desse grande gênio das pistas e contar um pouco sobre a sua história e suas polêmicas

No dia 3 de janeiro de 1969, na cidade alemã de Hürth na Vestfália, nascia Michael Schumacher.

Filho de um administrador de um kartodrómo na área, foi muito fácil para Schumi escolher o que iria fazer no futuro. E aos 4 anos ganhou seu primeiro kart.

O início e o mundial de protótipos

Correndo na Formula König em 1987, ganhou seu primeiro título, e nos próximos anos disputou a Formula Ford e a F3, sendo vice e terceiro respectivamente em 88 e 89, porém, campeão da F3 em 1990.

Isso chamou a atenção da Mercedes que o contratou para o seu programa de jovens pilotos e em 1991 disputara o mundial de protótipos. Destaque para as 24 horas de Le Mans daquele ano, onde em parceria com a Sauber a Mercedes lançou Schumacher para o mundo, juntamente com Karl Wendlinger e Fritz Kreuthpointer. O trio terminou a corrida, ficando em quinto lugar no geral, a prova foi vencida pelo trio da Mazda com o seu lendário 787B com Johnny Herbert, Volker Weidler e Bertrand Gachot.

1991 Le Mans 24 hours. Le Mans, France. 22nd – 23rd June 1991. Karl Wendlinger / Michael Schumacher / Fritz Kreutzpointner (Mercedes-Benz C11), 5th position, action. World Copyright: LAT Photographic. Ref: 91LM36.

Gachot seria muito importante na vida de Schumacher, mas por um motivo muito indigesto para o belga…

O ingresso na F1

Em 10 de dezembro de 1990, nas férias da temporada de F1, Gachot se envolveu em uma briga com um taxista em Londres, bem na frente do Palácio de Buckingham. Os dois trocaram socos e o piloto aplicou spray de pimenta nos olhos do taxista.

O julgamento ocorreu apenas em agosto do ano seguinte e o resultado foi pior ainda do que brigar em um dos pontos mais famosos da capital britânica. 6 meses de prisão por posse ilegal de armas (o spray de pimenta). Enquanto Gachot estava na prisão mais barra pesada do Reino Unido, a Jordan que era a equipe dele, contratou o jovem Michael Schumacher não sem antes receber uma pequena bolada de 300 mil dólares pelo assento.

Tudo começou no GP da Bélgica de 1991, e Schumacher já chama atenção marcando o 7° tempo na qualificação. Infelizmente a embreagem da Jordan-Ford do alemão não colaborou e ele ficou mesmo na primeira volta. Mas isso pouco faria diferença, por que sua atuação nos treinos já haviam chamado a atenção de Flávio Briatore, a época chefe da Benetton, que mandou embora Roberto Moreno e contratou o alemão já na Itália, onde não decepciona o chefe e fecha a corrida em 5°, somando seus primeiros pontos na categoria mais importante do automobilismo mundial.

O início do auge

Em 1992, a Benetton tinha um carro para competir com as McLarens pelo segundo posto da temporada (Já que nada bateria as Williams).

Schumacher faz temporada consistente, conquistando 8 de 16 pódiums e foi dos raros vencedores da temporada que não era da escuderia de Frank Williams, ganhando justamente onde estreou na Bélgica. Batendo o campeão daquela temporada Nigel Mansell por esclarecedores 36 segundos. A curiosidade é que essa foi a 1ª vitória de um piloto alemão desde o GP da Espanha de 1975 ganho por Jochen Mass.

Toda a regularidade da temporada, fizeram Schumacher ficar em 3° no mundial de pilotos com 53 pontos, 3 a mais que Ayrton Senna.

Em 1993, fez boas corridas e inclusive ganhou no Estoril, mas o carro não era confiável e o alemão sofreu com várias quebras durante o ano. O que lhe garantiu apenas o 4° posto no mundial, vencido pela  4ª vez por Alain Prost.

Os primeiros títulos e as primeiras polêmicas

Para muitos, e com razão, 1994 foi um ano macabro na história da categoria. Cansada das Williams com suspensão ativa e outras tecnologias, a FIA baniu, todas as ajudas eletrônicas para 94.

Logo no GP de estreia, em Interlagos, Schumacher fez um abastecimento da corrida que foi mais rápido que o normal e isso suscitou suspeitas em Senna de que talvez o modelo B194 da Benetton, tivesse com a bomba de combustível violando as regras da competição.

Schumacher venceu esse e todos os próximos 3 Gps aquele ano, porém em decorrência dos acidentes que levaram a vida Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em Ímola, a FIA resolveu introduzir em caráter de emergência, mudanças nos carro para aumentar a segurança.

Um desses itens a prancha de madeira, seria mais uma das inúmeras polêmicas que a Benetton e Schumacher se envolveram a partir do GP da França (vencido pelo alemão aliás)

O primeiro problema veio já no fatídico GP de San Marino, onde por ordem da FIA, os três primeiros tiveram que entregar a entidade a centralina eletrônica dos carros para análise. No carro de Schumacher os fiscais encontraram uma opção oculta de número 13 no volante que seria para controle de largada, algo que era proibido. A FIA achou que não foi usado esse controle e apenas multou a escuderia em U$$100 mil, com condição que retirassem tudo até o GP da Bélgica.

Mas, no GP da Grã Bretanha, Schumacher ultrapassou o pole Damon Hill ainda na volta de apresentação, foi aplicado um Stop & Go, o que significa que o alemão deveria ficar parado por 10 segundos no boxes, mas a equipe não cumpriu e então Schumacher recebeu uma bandeira preta e foi desqualificado daquele grande prêmio. A punição pós corrida foi ainda mais severa, Schumacher foi suspenso por 2 corridas (Itália e Portugal).

Na Alemanha, um grande incêndio irrompeu na Benetton do seu companheiro de equipe, Jos Verstappen na hora do abastecimento. Isso ocorreu por que um detrito entrou na bomba que estava sem o filtro de reabastecimento. Exatamente como Senna havia suspeitado meses antes na corrida em Interlagos. Mas como a fornecedora das bombas havia autorizado a equipe Larrousse a fazer o mesmo em maio, a FIA resolveu não punir a equipe. Mas Schumacher e a Benetton não escaparam no GP da Bélgica.

Schumacher ganhou, mas foi novamente desclassificado, por que a FIA notou que a prancha de madeira estava com um desgaste maior que o permitido. Mesmo com os argumentos da equipe italiana, a FIA não se convenceu e caçou a vitória do alemão.

Todas essas polêmicas, suspensões e desclassificações, ajudaram e muito Damon Hill que ganhou 6 corridas e chegou na última etapa em Adelaide, separado por apenas 1 ponto de Schumacher. Então veio a última polêmica da conturbada temporada de 1994 da Formula 1.

Na volta 36, Schumacher liderava com Hill logo atrás, o alemão deu um leve toque no muro o que deu a oportunidade que o britânico tanto quis para passar, porém na curva seguinte, Schumi fechou Hill,que o tocou. Isso forçou os dois a abandonarem. Schumacher era campeão mundial.

Em 1995, sem maiores problemas e polêmicas, o B195 empurrado agora pelo motor Renault, deu o segundo título a Schumacher com acachapantes 9 vitórias em 17 corridas e 102 pontos, contra 69 de Hill que foi o vice.

Era Ferrari

Em 1996, Schumacher e quase toda equipe de mecânicos da Benetton foram para a escuderia mais tradicional do automobilismo. A Ferrari.

O primeiro ano não foi muito bom, muitos problemas levaram Schumacher apenas ao 3° posto na temporada, com 59 pontos, ficando atrás da dupla da Williams de Damon Hill e Jacques Villeneuve respectivamente.

Para o ano seguinte, a concorrência com a Williams continuava grande, mas como Hill foi para a Arrows, o rival da vez seria o canadense Villeneuve, a temporada pegou fogo, com as vitórias quase sempre repartidas entre os dois pilotos. Então ambos chegaram a Jerez de La Frontera na Espanha para disputar a última etapa, o GP da Europa com o alemão tendo uma vantagem de um ponto. 78×77.

A corrida já mostrou que seria quente quando Schumacher, Villeneuve e Frentzen marcaram exatamente  1:21:072 nos treinos classificatórios. Frente a essa situação inacreditável, a FIA deu a pole ao canadense, pois marcou o tempo antes dos dois. Schumacher fechava a primeira fila e Frentzen se contentou com a terceira colocação.

Disputada em um calor de fazer fritar ovo no asfalto, a corrida começou e ficou claro que o pega seria pesado entre Schumacher e Villeneuve pegando mais fogo ainda.

Na volta 48, veio o clímax da temporada. Chegando na curva Dry Sac, o canadense tentou ultrapassar Schumacher freando depois, vindo na parte interna da curva, Villeneuve conseguiu passar o alemão, mas foi atingido por ele. Schumacher abandonou ali mesmo, Villeneuve ainda se manteve na pista, mas ficou em terceiro. Já seria o suficiente para o título, mas a FIA não gostou nada do movimento do alemão e puniu severamente o piloto, desclassificando ele da temporada toda, mas mantendo a sua pontuação final de 78 pontos.

Para 1998, novos rivais entrariam no páreo, agora seria a equipe McLaren com o excelente Mika Hakkinen, que era tido como muito promissor e agora estava em busca de seu primeiro titulo.

A superioridade dos carros de Woking era grande, mas mesmo assim Schumacher teve grandes momentos, vencendo 6 corridas e ficando com o vice novamente, somando 86 pontos.

Em 1999, não parecia o ano em que a Ferrari sairia da seca que já durava 19 anos, Schumacher fez um início de temporada mediano, mas mesmo assim era o vice líder quando bateu feio na Grã Bretanha na curva Stowe, acidente esse que quebrou a sua perna esquerda. Ele perderia as próximas 6 provas da temporada e dava adeus a disputa, que foi vencida pela segunda vez por Hakkinen

2000 e o início da dinastia

No ano 2000, Schumacher ganhava como companheiro o brasileiro Rubens Barrichello. Dessa vez a equipe não decepcionou e o F2000 começou muito bem, ganhando as primeiras três corridas. No meio da temporada, as McLarens conseguiram parear a disputa ganhando muitas corridas e colocando o cheque o tri campeonato do alemão. Mas nas últimas 4 etapas, a Ferrari sobrou e Schumacher se sagrava tri campeão mundial com 108 pontos e tirava a equipe de Maranello de uma seca que durava desde 1979.

Em 2001, as McLarens continuavam no páreo com o escocês David Coulthard, mas a Ferrari e Schumacher estavam em estado de graça e o alemão foi tetra campeão facilmente com 123 pontos e nove vitórias.

Mais fácil ainda seria 2002, em que Schumacher igualou o recorde de títulos de Juan Manoel Fangio e chegava a sua quinta conquista. Marcando incríveis 144 pontos, ele foi o campeão mais precoce da história da categoria, ganhando o título na França em 21 de Julho. Mas mesmo assim, houve o que talvez tenha sido a última polêmica da carreira do alemão, que foi a infame vitória em Spielberg na Áustria, onde Barrichello teve que ceder a primeira posição nos metros finais para o alemão por ordem da equipe Ferrari.

2003 talvez tenha sido a temporada mais emocionante desse predomínio que Schumacher teve no início da década de 2000, Kimi Raikkonen na McLaren e Montoya na Williams dificultaram e muito a vida do alemão na temporada, muito pela decisão da FIA de atribuir 8 pontos ao invés de 6 para o segundo colocado das provas, isso fez que com os 8 primeiros pontuassem. Mesmo com a grande temporadas dos pilotos citados, Schumacher venceu 6 corridas, somou 93 pontos, 2 a mais que Kimi e se tornou o primeiro hexa campeão mundial de Formula 1.

Em 2004, o F2004, sobrou tanto que mesmo Rubens Barrichello companheiro de Schumi fez temporada de campeão naquele ano, mas ficou com o vice. Mas uma vez o alemão sobrou. Ganhou 13 corridas, somou 148 pontos e ganhou o último de seus títulos. Foi o primeiro e até hoje único hepta campeão mundial de Formula 1.

O declínio e aposentadoria

Em 2005, a Ferrari teve muitos problemas, principalmente no seu novo carro e com os pneus Bridgestone que eram muito inferiores ao Michelin. Fernando Alonso na Renault ganharia seu primeiro título, com Kimi Raikkonen ficando com o vice. Numa longínqua terceira posição, com apenas 1 vitória (No GP dos EUA, onde correram apenas 6 carros, pois a Michelin alegou falta de segurança e não autorizou os seus a correrem) ficou Schumacher, com 62 pontos.

Para 2006, a Ferrari acertou novamente a mão e o F2006 era um bom carro. Mas a Renault com seu R26 também era e a briga foi muito boa. Schumacher teve a faca e o queijo na mão para o titulo, no GP do Japão onde liderava com folga, mas o seu motor explodiu, fazendo com que o titulo caísse quase que no colo de Fernando Alonso, que bastaria terminar pontuando no Brasil para ser campeão. Após a corrida em Interlagos, Schumacher decidiu se retirar das pistas. Mas por enquanto.

Volta e tragédia

Em 2010, Schumacher retornou a F1 pela Mercedes, a mesma que o revelou com os protótipos no começo dos anos 1990. Mas sua segunda passagem pela F1, não teve nada de relevante e nos três anos que correu, fez apenas um terceiro lugar no GP da Europa de 2012.

Em 29 de dezembro de 2013, enquanto esquiava na estação de Meribel, nos Alpes franceses, Schumacher se envolveu num grave acidente, onde bateu a cabeça contra uma rocha. Seu estado de saúde até hoje é uma incógnita e muitos pensam que ele até mesmo já faleceu.

Será que poderemos ver Schumacher novamente um dia?

O que fazer com os estaduais?

Entra ano e sai ano, eles sempre abrem o nosso calendário no futebol. Tradição a ser mantida? Obstaculo descartável? O que fazer?

2020 vem aí e com ele os campeonatos estaduais para abrir o calendário. Uma tradição que hoje é exclusivamente nacional, o que antes era valorizado até mais do que a Libertadores, hoje virou uma pedra no sapato para os clubes, tvs e até para a CBF.

Assenção e queda

A criação desses certames e o seu sucesso até meados dos anos 2000, mostrava a falta de identidade do brasileiro com o seu país e o gritante atraso tecnológico e logístico que assolou e ainda assola algumas regiões brasileiras.

Em 1902, uma viagem de trem entre São Paulo e Rio de Janeiro, levava 9 horas (contra os 30 minutos de avião hoje). Talvez com isso em mente, ou apenas por bairrismo, Charles Muller criou a LPF (Liga Paulista de Foot-Ball) e com ela veio o primeiro Campeonato Paulista. Em 1905, surgiu o baiano e no ano seguinte, o carioca. Isso criou uma corrente irreversível. O futebol brasileiro cresceria regionalmente e não nacionalmente como na Argentina onde o seu campeonato nacional data de 1891.

O São Paulo Athletic Club (SPAC) de Charles Muller, foi o primeiro campeão estadual do Brasil em 1902

Apenas com a criação de um campeonato nacional sério em 1971, os estaduais foram muito lentamente perdendo terreno, mas foi apenas com os pontos corridos no Brasileiro em 2003, que veio o declínio.

O dinheiro e a necessidade

Nos grandes centros, os times maiores jogam assumidamente pelo dinheiro. A Globo ainda paga pelos direitos de transmissão. Assim os clubes menores do interior também se beneficiam, pois recebem uma parte do montante.

Mas essa realidade está mudando. A Globo percebeu que jogos como São Paulo x Mirassol, numa quarta-feira as 21h30 não atraem audiência (Na tabela de jogos transmitidos pela Globo para 2020, apenas 1 de 12 será numa quarta). Some isso as enormes quantias que a Copa do Brasil, Libertadores e as cotas televisivas/desempenho do Brasileirão pagam e fica fácil notar que nem a TV e os times grandes tem interesse. Para 2020, o Flamengo recusou os 15 milhões da Globo pelo Campeonato Carioca e como não houve interesse da emissora em aumentar a proposta, certamente o atual campeão do torneio, do Brasileiro e da Libertadores ficará de fora da tv.

Para os pequenos, a grana também já não está valendo a pena, o futebol fica mais caro a cada dia que passa e vários clubes do interior estão virando empresa ou firmando parcerias com empresas para se fortalecer financeiramente. Então a competição fica totalmente desinteressante, sustentadas por federações estaduais que somente pelo seu enorme poderio político na CBF, consegue banca-los.

Se nos grandes centros, o estadual é um estorvo, ele ainda é o carro chefe em vários estados isolados e sem tradição no futebol, principalmente na região norte e centro oeste.

Devido ao pesadelo logístico que é chegar em estados como Rondônia, Amapá, etc. as cidades ainda são bastante isoladas, fazendo com que seus times sejam relevantes apenas em cenário local, em competições anonimas até para os moradores da região.

Como lidar com o problema?

Existem vários pontos de vista em como lidar com o calendário nacional. Desde os mais radicais, que querem a extinção dos estaduais e um calendário padrão europeu de Agosto a Maio, até proponentes saudosistas de uma expansão dos estaduais que entrariam por todo o 1° semestre e um Brasileiro mata-mata no 2°.

No meu ponto de vista, adotar o calendário europeu, é um eurocentrismo estúpido por que ele é adotado lá, com base puramente climática, que é diferente do daqui. Assim como é estapafúrdia a ideia de querer voltar aos anos 90 e expandir os estaduais.

O que poderia ser feito é a criação de novas divisões do Brasileiro, regionais, que seriam o que hoje são as divisões inferiores dos estaduais. Assim todos os times do país teriam calendário o ano todo e mais força, já que não precisariam fechar em junho e deixariam de participar de um campeonato deficitário.

Os campeonatos estaduais, poderiam ser torneios de pré temporada, de tiro curtíssimo (com não mais que 8 datas) que apenas serviria de preparação para as divisões do Brasileiro.

A lenda da maquína mortífera e a força tricolor

No início dos anos 90 e em 2005, o mundo foi comandado pelo São Paulo Futebol Clube

No começo dos anos 90 e em 2005, uma força moveu o mundo, comandada por Telê Santana, Raí, Rogério Ceni entre outros, o São Paulo foi e ainda continua sendo o único time brasileiro três vezes campeão mundial. Batendo grandes times da Europa como Barcelona, Milan e Liverpool. Vamos relembrar um por um, esses campeonatos e as campanhas que levaram a eles.

1992 – ‘Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari’

Essa frase é do técnico do Barcelona na época, ninguém menos que Johan Cruyff, se rendendo aquela maquina vinda do Brasil, chamada São Paulo. Mas como os comandados de Telê chegaram lá?

Essa história começa num lugar um pouco improvável. O hoje estádio Nabi Abi Chedid, na época Marcelo Stefani em Bragança Paulista, local onde o São Paulo levantou a taça de campeão brasileiro de 1991, empatando em 0x0 com o Bragantino de Carlos Alberto Parreira. Classificado para a Libertadores de 1992, o São Paulo teria o surpreendente Criciúma de Felipão que havia ganho a Copa do Brasil do ano anterior, o Bolívar e o San José de Oruro na sua chave.

São Paulo campeão brasileiro de 1991

A campanha rumo ao título

Telê Santana não era muito adepto da Libertadores, que segundo ele era muito violenta e disse que não iria dar muita prioridade ao torneio, isso ficou claro logo no primeiro jogo. 3×0 para o Criciúma na capital do carvão.

Porém, o time não teve mais dificuldades no grupo, devolveu 4×0 contra os catarinenses no Morumbi e lidou facilmente com os bolivianos, se classificando em segundo com 8 pontos.

Nas oitavas, viria o tradicional Nacional de Montevideo, mas o São Paulo não reconheceu os uruguaios e venceu os dois jogos por 1 e 2×0 respectivamente.

Nas quartas, novo confronto com o Criciúma, agora levando a Libertadores a sério, Macedo fez o gol da vitória triclor por 1×0 no Morumbi e com um empate em 1×1 no Heriberto Hulse, a sensação da Libertadores dava adeus a competição.

Na semi, veio o Barcelona de Guayaquil. Muller em dia inspiradíssimo ajudou o tricolor a golear os equatorianos em 3×0 e mesmo perdendo o segundo jogo por 2×0, o São Paulo chegava a sua segunda final de Libertadores na história e de novo contra um argentino. Desse vez, o Newell’s Old Boys de Rosário.

No Colosso Del Parque pelo primeiro jogo, Berizo fez o gol do jogo e os argentinos jogavam por um empate num Morumbi abarrotado com quase 115 mil pessoas. O empate perdurou até os 20 minutos do segundo tempo, quando de pênalti Raí fez 1×0. O jogo assim terminou e nos pênaltis para o delírio de todos no Brasil, o São Paulo ganhou por 3×2 e se garantiu em Tóquio para enfrentar o Barcelona

Um adversário nem tão novo assim

Na edição inaugural da Liga dos Campeões da UEFA, o bom time do Barcelona que contava com Stoitchkov, Laudrup, Zubizarreta, entre outros, teve muito trabalho ,batendo a Sampdoria em Wembley apenas na prorrogação.

No torneio amistoso Tereza Herrera na pré temporada europeia, São Paulo e Barcelona se enfrentaram e os espanhóis já tiveram uma prévia do que iria ocorrer no Japão em dezembro. Impiedosos 4×1 com um show de Raí que fez 2 gols e Muller.

O grande dia

Então em 13 de dezembro de 1992, São Paulo e Barcelona se alinhavam em Tóquio para a final do Mundial.

O São Paulo foi com: Zetti, Vitor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Toninho Cerezo (Dinho), Pintado e Raí; Cafu, Palhinha e Muller.

Os catalães alinharam com: Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Guardiola e Euzébio; Bakero (Goicoechéa), Amor, Witschge e Beguiristiain (Nadal); Stoichkov e Laudrup.

Logo aos 11 minutos, num belo chute de fora da área a inapelável ao goleiro Zetti, Stoichkov pós os espanhóis em vantagem. O São Paulo foi para cima e dominava totalmente o jogo, até que aos 27 o inevitável aconteceu, Muller correu até a linha de fundo, cruzou e bola encontrou o peito de Raí que empatara o jogo. O tricolor continuo sufocando, até que veio aquela falta.

A falta que todo o torcedor lembra com o maior dos carinhos, onde Raí deixou Zubizarreta estático no chão, a bola foi onde a coruja dorme, era a virada tricolor e o jogo assim ficaria, o São Paulo, incontestavelmente o melhor time do mundo em 1992 bateu o Barcelona por 2×1.

Pela segunda vez no ano o São Paulo bateria o Barcelona e se sagraria campeão do mundo

1993 – A consagração

Na Libertadores de 1993, na condição de atual campeão, o São Paulo entraria apenas nas oitavas de final. Enfrentaria um adversário bem conhecido. O Newell’s novamente. E dessa vez os argentinos fizeram 2×0 em Rosário. Mas nada pararia Raí no Morumbi e com 2 gols dele, um de Cafú e outro de Dinho, o tricolor fez 4×0 e novamente despachou os argentinos.

Nas quartas, clássico nacional. São Paulo x Flamengo. No primeiro jogo no Maracanã, muito equilibrado, os paulistas até saíram na frente com Palhinha, mas Nélio empatou para os cariocas e assim ficou para a decisão no Morumbi, novamente lotado.

O Flamengo era o atual campeão brasileiro e tinha craques como Zinho, Marcelinho Carioca, Renato Gaúcho e Gilmar, foi um jogo bastante complicado e bem pegado, mas a qualidade do time armado por Telê se sobressaiu e com gols de Cafú e Muller, o São Paulo se classificava as semis com os 2×0.

Jogo esse que seria contra o Cerro Porteno. No Morumbi, Raí fez o gol solitário, num jogo onde o SP abusou de perder chances, o zero não saiu do placar em Assunção e o São Paulo chegava a sua terceira final na história, dessa vez contra os chilenos do Universidad Católica.

Apesar de ter católica no nome, Deus parece ter torcido para o São Paulo no primeiro jogo, pois o que se viu no novamente abarrotado Morumbi foi um massacre épico numa final de Libertadores. 5×1. Lópes contra, Dinho, Gilmar, Raí e Muller fizeram os gols tricolores, enquanto Almada diminuiu em pênalti duvidoso. A final tinha sido decidida ali e os 2×0 que a Católica fez no segundo jogo foi anônimo. O São Paulo era bi campeão da Libertadores, igualando feito que na época só o Santos de Pelé tinha feito.

São Paulo massacrou os chilenos por 5×1 no Morumbi

“Questo gol é per te, buffone”

Outro feito do Santos dos anos 60, foi ter sido bi campeão mundial e o São Paulo estava lá contra a Milan para buscar repetir este feito para o futebol brasileiro.

Os italianos, apesar de ter um dos melhores times da Europa, não tinha sido campeões da UCL, perderam para o Olympique de Marselha, porém os franceses tiveram o título caçado após um escândalo de manipulação de resultados na França e por tanto a Milan representaria a Europa naquele jogo.

E QUE JOGO MEUS AMIGOS!

O São Paulo foi com: Zetti; Cafu, Válber, Ronaldão e André Luiz; Doriva, Dinho, Toninho Cerezo e Leonardo; Muller e Palhinha (Juninho)

Os Rossoneri entraram com: Rossi; Panucci, Costacurta, Baresi e Maldini; Albertini (Orlando), Donadoni e Desailly; Massaro, Papin e Raduciou (Tassoti)

Aos 19 minutos, Cafú achou Palinha na grande área que fuzilou Rossi, São Paulo 1×0. Mas a Milan era guerreira e Massaro empatou logo aos 3 minutos do segundo tempo. Não demorou muito, exatos 8 minutos para Leonardo cruzar e encontrar o veteraníssimo Toninho Cerezo e recolocar o São Paulo na frente, mas os italianos não desistiram Papin aos 36 empatou, e quando tudo parecia se encaminhar para a prorrogação, Muller com a canela ou seja lá como foi, fez o terceiro gol. Costacurta que marcou o atacante sãopaulino e jogo todo, ouviu essa frase que inicia essa seção. A euforia era enorme, o apito final veio, o São Paulo de Telê igualara o Santos de Pelé, era também bi campeão mundial.

Essa história poderia acabar aqui não? Não, não vai.

12 anos depois, com o terceiro lugar do Brasileirão de 2004, o São Paulo estaria na Libertadores novamente. Dessa vez com nomes como Rogério Ceni, Lugano, Luizão e Mineiro. Os nomes mudaram mas a disposição não. O tri era questão de tempo.

E Ele começou no grupo 3 ao lado de The Strongest, Quilmes e Universidad de Chile.

Fazendo 12 pontos, o São Paulo sobrou e passou em primeiro na chave, nas oitavas viria nada mais nada menos que um Choque Rei.

No primeiro jogo no Pq. Antártica, numa época onde o São Paulo ganhava clássicos fora de casa, Cicinho meteu um balaço no ângulo de Marcos e garantiu o 1×0. No Morumbi, o mesmo Cicinho e depois Rogério Ceni de pênalti fizeram 2×0 e pela terceira vez em três oportunidades, o São Paulo despachava o Palmeiras numa Libertadores.

Nas quartas, o Tigres do México, assim como o São Paulo, era o outro invicto no certame. Mas a invencibilidade dos mexicanos acabou nas mãos do goleiro artilheiro. Rogério fez 2 gols, e ainda errou um pênalti nos 4×0 que o São Paulo aplicou. A nossa invencibilidade também acabou no jogo de volta, mas os 2×1 que os mexicanos fizeram, não lhes valeram de nada.

Na semi, o jogo mais esperado. São Paulo x River Plate. Um jogo com muita tradição. No Morumbi, apesar da péssima arbitragem Danilo e Rogério de pênalti, fizeram 2×0. No Monumental, Amoroso que havia estreiado no São Paulo no primeiro jogo e reeditando dupla de ataque de muito sucesso com Luizão dos tempos de Guarani, fez o seu, e junto com Danilo e Fabão ajudou nos 3×2 que o São Paulo fez.

A final seria contra o surpreendente Atlético PR. Como não tinha capacidade na sua Arena da Baixada, o primeiro jogo saiu de Curitiba para Porto Alegre, numa peleja nervosa, Aloísio (que na época estava no CAP) e Durval contra, fizeram os gols. 1×1.

No Morumbi lotado, um passeio. Amoroso, Luizão, Fabão e Diego Tardeli fizeram 4×0 e o tricolor paulista era o primeiro time brasileiro a ser tri campeão da Libertadores.

2005 – O mundo é seu torcedor tricolor

Faltava agora ser o primeiro brasileiro a ser tri campeão mundial e para 2005 a FIFA, fez o Mundial em um novo formato. Agora, times de todos os continentes jogariam. O São Paulo estreiou nas semis contra o Al Ittihad, da Arábia Saudita e campeão da Ásia. Apesar de ter tomado 2 gols, o jogo foi controlado e o São Paulo ganhou de 3×2.

Na final o adversário seria o Liverpool, que eliminou o Saprissa da Costa Rica e campeão da Concacaf e vencera a UCL contra a Milan em uma final épica onde perdendo de 3×0, empatou e ganhou nos pênaltis.

Devido ao êxodo dos jogadores brasileiros para o futebol europeu e também o dinheiros dos clubes do velho continente, o jogo seria jogado com total favoritismo dos Reds. E foi um sufoco, até que aos 28 minutos do primeiro tempo, Aloísio dando uma de Ronaldinho do Paraguai (segundo ele mesmo) lançou Mineiro que tocou na saída de Reina. São Paulo 1×0. Rogério Ceni teve papel fundamental na manutenção desse placar, fazendo defesas monumentais que garantiram o que até hoje nenhum time nacional conseguiu. O tri campeonato mundial.

Corinthians campeão mundial de 2012 – O dia em que o bando de loucos dominou o mundo

No penúltimo capítulo da nossa série dos campeões mundiais, vamos relembrar o Corinthians de 2012

*Por Victor Grebinski

O dia 16/12/12 está marcado na história do futebol e principalmente no coração de todo corintiano, a vitória no Estádio Internacional de Yokohama consagrou definitivamente uma geração que marcou o seu nome na história do alvinegro de Parque São Jorge, mas antes disso o Corinthians teve um longo caminho a percorrer…

A conquista que possibilitou tudo isso:

Depois de várias frustrações finalmente! Corinthians levanta a Taça Libertadores

Em 2012, o Corinthians finalmente conquistou a tão sonhada Libertadores, a libertação de todas as piadas foi de forma invicta, com solidez defensiva (contando com uma estrela que surgiu apenas no mata-mata, o goleiro Cássio), competência e estrela de alguns atacantes (Emerson Sheik e seus gols na final que o digam) além de uma pitada de sorte e poder de decisão, o alvinegro vencia o poderoso Boca Juniors na final e ganhava a passagem com destino ao país do sol nascente.

O adversário da semifinal

  Três dias antes da data da semifinal (12/12), a equipe brasileira conhecera seu adversário, o grande Al-Ahly, um dos maiores times do mundo no quesito títulos internacionais e com certeza o maior time do continente africano, os egípcios, que tinham como principais destaques jogadores como Aboutrika, Moteab e Gedo, muito reconhecidos no time e na seleção nacional, bateram os japoneses do Sanfrecce Hiroshima.

O bom time do Al-Ahly, campeão africano de 2012 e adversário na semi final

A complicada semifinal

Corinthians em campo no Mundial

Trinta e um mil corintianos invadiram o Toyota Stadium para ver o representante sul-americano debutar na competição, o time era esse da foto (da direita para a esquerda, em cima : Alessandro, Paulo André, Guerrero, Chicão, Ralf e Cássio; em baixo: Jorge Henrique, Emerson Sheik, Paulinho, Fabio Santos e Danilo).

  O time brasileiro sofreu, falhou algumas vezes defensivamente e contou com a sorte e com a deficiência técnica do adversário, e novamente contou com o surgimento de estrelas que tiveram papel fundamental na conquista: Cássio, muito seguro em suas defesas e o Peruano Paolo Guerrero, que chegou ao time pós libertadores e marcou o gol da vitória corintiana na semifinal, de cabeça, aos 29 minutos do primeiro tempo, o gol do acesso a tão sonhada final.

O temido adversário da final

O surprendeente Chelsea, também campeão inédito da sua competição continental

Surpreendente, assim podemos definir o campeão europeu nessa temporada, assim como na América do Sul, também tivemos um campeão inédito na Europa, o Chelsea, que surge para se afirmar no cenário internacional neste século após um grande investimento do russo Roman Abramovich quebrou a banca eliminando o super Barcelona e vencendo os alemães do Bayern na final realizada em Munique.

  O time com jogadores marcantes, como o meia Frank Lampard, o goleiro tcheco Petr Cech, o super atacante marfinense Didier Drogba e outros grandes nomes como John Terry, Ashley Cole, Fernando Torres e o brasileiro Ramires além de vários não citados, tinha certa igualdade com o estilo de jogo do Corinthians nas partidas decisivas, contava com a solidez defensiva e jogadores com poder decisão.

  No mundial, o time já contava com um treinador diferente do que foi campeão da UEFA, o inexperiente Roberto Di Matteo deu lugar ao conhecidíssimo Rafa Benítez, além disso, a grande estrela do time, Drogba, estava lesionado e ficou de fora da competição.

  Passou com certa facilidade pelo representante da CONCACAF na semifinal, o Monterrey.

A Final

  Yokohama, 16 de dezembro de 2012, a manhã brasileira e noite japonesa daquele domingo mexeu com muitos corações, Corinthians e Chelsea por fim, entraram em campo, a invasão corintiana estava maior que na semifinal, o estádio com mais de 68.000 mil lugares estava cheio, em sua grande maioria de corintianos, apita Cuneyt Cakir, a bola rola e a tensão começa.

  O jogo ficou marcado por um confronto individual em especial: O goleiro Cássio contra o atacante espanhol Torres, “el niño” já tinha uma carreira sólida, destacada, sendo um verdadeiro craque, mas naquela noite em especial ele e todos os outros jogadores do time inglês pararam na muralha de 1,96m.

 O primeiro tempo ficou marcado por chances claras do Chelsea, como a finalização do nigeriano Victor Moses e a defesa espetacular de Cássio, narrada por Galvão Bueno: “O Cássio faz milaaagre”, enquanto o Corinthians ficou apenas limitado a algumas escapadas sem grandes perigos ao Chelsea.

  O segundo tempo contínua na mesma pegada, Cássio segurando na defesa e o Corinthians chegando mais, o que ficou claro na finalização de Paulinho, a mais perigosa do time até aquele momento, bom, até aquele momento…

  23 minutos do Segundo Tempo, Alessandro domina a bola na lateral, volta para Chicão, que faz um passe para Paulinho, o volante ajeita de letra para a cabeçada de J.Henrique, devolvendo a bola para Paulinho, e bem, novamente na voz do grande Galvão Bueno: “Olha a chance, olha a chance, olha a chance agora, Danilo limpou, pé direito bateu, o toque de cabeça, olha o gol, olha o gol…” o peruano Paolo Guerrero marcava de vez seu nome na história, na nossa história.

Com essa cabeçada de Guerreiro, o mundo ficava preto e branco

  O Chelsea ainda teve algumas boas chances, principalmente com Torres, mas nada adiantava, a noite e a festa foram corintianas, e o apito final deu início a uma das maiores festas vistas no Japão

Para o Chelsea sobrou apenas a frustração

Cássio, de forma justa, foi eleito o melhor da competição, Guerrero ficou na terceira colocação e os comandados de Tite, nosso querido professor, marcaram seu nome na história do Corinthians, o time que foi ao outro lado do mundo e voltou com o Bicampeonato, pela segunda vez, o mundo enlouqueceu.

O dia que o mundo foi pintado de vermelho

Hoje, vamos relembrar a vez em que o mundo foi pintado de vermelho. Pela primeira vez

*Por Bruno Silva Villela

Essa história não começa no dia 17 de dezembro de 2006, data da final do mundial de clubes realizada entre Internacional e Barcelona, mas sim em 16 de fevereiro de 2006, estreia do Colorado na libertadores, contra o time venezuelano Maracaibo que terminou com um empate amargo, mas a garantia de que essa libertadores traria fortes emoções.

            O time comandado pelo técnico Abel Braga e o eterno capitão Fernandão (artilheiro e líder em assistências do Inter) encaminharam a classificação para a fase mata-mata com 4 vitórias e 2 empates, em um grupo composto pelo gigante Nacional do Uruguai, tri campeão da américa, o mexicano Pumas – aliás, houve outro jogo, onde o Sport Club Internacional enfrentou um time mexicano em uma final, mas é história para outro dia – e o já mencionado venezuelano Maracaibo.

            Por brincadeira do destino, o adversário do Inter nas oitavas de final seria nada menos que o próprio Nacional, derrotado no Beira-Rio por 3×0, com gols de Michel, Fernandão e Rubens Cardozo, entretanto, sabemos que a camisa dos gigantes pesam em mata-mata, com algumas exceções lógico, o futebol não é uma ciência exata, e ainda bem que não é.

            Com a garra clássica do Time do Povo, vitória em Montevidéu e empate por 0x0 em casa. O grande Nacional estava eliminado e o Inter seguia com fome de título, era o ano, era a hora, dava para sentir.

            Quem diria que o adversário mais difícil no caminho para a final seria a LDU? É, mas foi. Jogo enroscado em Quito, mas o Inter abriu o placar com o carequinha Jorge Wagner. Os equatorianos são valentes e como não podia ser diferente, lutaram e foram em busca do resultado até o final, resultado final? Virada com gols de Delgado e Graziani.

            Em casa o colorado fez valer o mando de campo, firmes 2×0 com passe livre para enfrentar o Libertad na semi- final – um passo mais perto do tão sonhado título – no Defensores Del Chaco, empate sem gols, triste para a torcida que foi para o estádio, mas nem tanto para gaúchos de sangue vermelho, decidir em casa, precisando de vitória por placar mínimo era motivo de confiança de que a final estava mais próxima.

            E assim o foi, mais uma vitória maiúscula em casa: 2×0. Sem choro, nem vela.

            Assim como em 2005 a final da Libertadores da América seria decidida em uma disputa entre times brasileiros, após São Paulo e Atlético Paranaense decidirem o título de 2005 (São Paulo se sagrou tri campeão da américa), era a vez do Sport Club Nacional buscar o seu primeiro título contra o São Paulo, em busca do seu quarto título.

            Primeiro jogo, Morumbi lotado, perfeito para garantir um bom resultado em casa, não é mesmo? Os são paulinos só não combinaram com o guri de Erechim, o Rafael Sóbis, rápido, esguio e atualmente com o apelido de senhor Libertadores, por que será?

            Eu lembro como se fosse ontem o que estava fazendo no primeiro jogo da final. Infelizmente minha mãe nunca foi muito fã de futebol, e era comemoração de alguma coisa, confesso que não lembro exatamente o que.

Pois bem, jantávamos, eu, minha mãe e meu pai com alguns amigos deles. Eu guri, tinha meus 10 anos, não queria saber de ficar sentado na mesa, ficava indo e voltando numa escada em um restaurante em Maceió, só para poder vislumbrar o embate entre Inter e São Paulo que estava sendo transmitido em uma TV no primeiro andar. Em uma das idas e vindas, o guri de Erechim recebeu a bola no último terço de campo, gingou em cima do Fabão e mandou um petardo cruzado, vencendo o Rogério Ceni – o arrepio vem involuntário. 1×0 Inter.

            Rafael Sóbis, o senhor Libertadores, não parou por aí. Após cruzamento de Alex, Fernandão cabeceou para o meio da área e o Tinga cabeceou no travessão. A estrela era mesmo do camisa 11, após bater no travessão a bola veio em sua direção, não contou história e pegou de bate pronto para o fundo das redes. 2 gols do ídolo colorado, 2×0 contra o São Paulo. Ainda deu tempo para o tricolor descontar, terminando o jogo em 2×1 pro Internacional.

            Os colorados já sentiam o gostinho do título e a semana que separou um jogo do outro foi massacrante. Jogo de volta em casa, Beira-Rio lotado como sempre. A fórmula do sucesso.

            Jogo pegado, muita luta e oportunidades. Ninguém esperava que o Rogério, um dos maiores goleiros que atuaram no Brasil, cometeria uma falha, mas o time vermelho não queria saber, 1×0, Fernandão, o mesmo que deu a assistência para o gol do Tinga, 2×1 Inter. O São Paulo até conseguiu o empate, mas o destino já havia a muito decidido que 16 de agosto de 2006 era o dia, o Inter era o campeão da Libertadores.

O primeiro momento de consagração: A Libertadores de 2006

Mundial de Clubes e o melhor jogador do mundo

            Dezembro chegou, assim como o calor nas terras tupiniquins, mas quem queria saber de calor? O que importava era o grande momento que desembarcava no último mês do ano, o Mundial de Clubes.

            O clube do povo jogava pela primeira vez um mundial. Antes de enfrentar o gigante europeu o Inter precisava passar pelo egípcio Al-Ahly, já de antemão é preciso informar que não foi um jogo fácil. Após gol de Pato para abrir o placar, o time árabe empatou, restando à Luiz Adriano decidir o jogo em uma cabeçada após escanteio no primeiro pau. O momento de disputar o mundo havia chegado.

            Inter se classificou em uma semi-final e o grande Barcelona, de Ronaldinho, Deco, Eto’o, Puyol, Valdes, Giuly, Iniesta, entre outros, na outra. Final decidida.

            17 de dezembro de 2006 como dito no início do texto, não é o começo dessa história, mas o fim inesperado e devidamente aguardado, Yokohama ficou pequena para o grande jogo, marcado para 19:20 no horário local.

            Aqui no Brasil por uma pequena diferença no fuso horário, o jogo começou pela manhã logo cedo, e eu garanto para você, meu querido leitor, nenhum colorado conseguiu dormir na noite que antecedeu o jogo.

            Então chegou o horário do jogo, mas um parênteses é necessário, dois ídolos um de cada lado, guardada as devidas proporções ao que jogaram em suas carreiras, ambos no auge da sua qualidade técnica. Ronaldinho de um lado e Fernandão do outro. Ronaldo de Assis Moreira ou Ronaldinho Gaúcho, o melhor jogador do mundo de 2006, o melhor jogador de futebol que eu vi jogar, com seus dribles mágicos, jogadas inimagináveis, passes espetaculares e golaços. Esse era o nosso adversário. Fernando Lúcio da Costa ou Fernandão, ídolo colorado, camisa 9 e a faixa. Em sua estreia pelo Inter, marcou o gol 1000 entre Grenais, um dos maiores clássicos do mundo, quiçá o maior, calmo, frio, técnico, o camisa 9 que por vezes jogava de “10”, hoje tá no panteão dos imortais colorados, que jogador e pessoa era Fernando Lúcio da Costa.

            Escalações confirmadas, pelo Inter: Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardozo; Wellington Monteiro, Edinho, Alex e Fernandão; Iarley e Pato.

            Pelo Barça: Valdes; Zambrotta, Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Motta, Iniesta e Deco; Giuly, Gudjohnsen e Ronaldinho.

            Davi contra Golias. E parece que o conto se repetiu.

            O jogo foi da maneira que deveria ser, nervoso, ansioso, sofrido. O Barça atacava e criava oportunidades como sempre foi, com uma qualidade incomparável.

            O Inter por outro lado, era guerreiro, corajoso, marcava como nunca antes, tanto que o melhor jogador do mundo parou em Ceará, quem diria, não é mesmo?

            O primeiro tempo se encerrava com domínio catalão, sem grandes perigos para o gol Azul-grená. Intervalo dolorido para a torcida do clube do povo, a distância da qualidade entre os times era latente, parecia que era impossível uma vitória brasileira. As grandes jogadas pelo Inter foram do menino Pato, naquela época esperança do futebol brasileiro.

            Veio o segundo tempo, nervoso, corrido, gritado. E aos 23 minutos um lance preocupa os colorados ao redor do mundo, Fernandão disputa bola no alto com Iniesta e sente dores na perna esquerda. O ídolo colorado no chão. Logo a esperança de uma jogada diferente, seria substituído na sequência.

            Abel Braga tomou uma decisão que incomodou toda a torcida colorada. Se há algum colorado que não contestou a escolha para entrar no lugar do Fernandão, me perdoe, mas a chance desse colorado existir é bem baixa. Abel escolheu Adriano Gabiru para o lugar do capitão, outra brincadeira do destino, Gabiru nasceu em Alagoas, cidade na qual eu residia na época do mundial. Neste momento nosso técnico só não foi chamado de bonito. Mas ainda bem que ele escolheu a loucura e o impensável, ao invés do que é comum.

            Sai Fernandão. Entra Gabiru. A história estava sendo escrita.

            Grandes crônicas esportivas relatam os heróis improváveis, aqueles pelos quais a torcida não espera grandes coisas, mas resolvem jogos ou decidem títulos importantes e naquela manhã de dezessete de dezembro de dois mil e seis isso aconteceu mais uma vez.

            Em um contra-ataque aos 35 minutos do segundo tempo, um balão foi dado da defesa colorada. Luiz Adriano disputou a bola de cabeça, sobrando no pé do incansável Iarley que saiu com a bola grudada ao pé como manda o manual, além de um drible desconcertante no zagueiro espanhol. Eram três colorados contra dois, e com um passe quase cortado por Rafa Márquez para o Gabiru, este entrou cara a cara com Valdes, chutou alto no canto direito, o goleiro ainda tocou na bola, mas não o suficiente para impedir o gol colorado.

            O inesperado aconteceu, como narrou o Pedro Ernesto Denardin, o Inter seria campeão do mundo, com gol do criticado e odiado Adriano Gabiru, esse mesmo jogador que com um gol ganhou o amor eterno de todos os torcedores colorados.

Gabiru: Da reserva para o mundo

O jogo se arrastou nos minutos finais, o gigante, porém baixinho, Iarley segurou a bola perto da bandeirinha de escanteio de maneira magistral. Sabia o que tinha que fazer, gastar o relógio ao máximo para que o jogo acabasse. Então, depois de um drama inacabável, Carlos Alberto Batres apitou apontando o centro de campo, o mundial era conquistado pelo Internacional pela primeira vez em sua história.


Iarley foi um dos destaques da grande final do Mundial Fifa

Neste momento, o sentimento que tomou conta é indescritível, um gol do tamanho do planeta terra, o que os torcedores do Internacional deveriam sentir? Felicidade? Exato.

A felicidade tanto durante o gol, quanto ao final do jogo, foi sem tamanho. Eu e meu pai – que me fez amar incondicionalmente o Sport Club Internacional e por isso, além de todas as outras coisas, serei eternamente grato – gritávamos aos quatro cantos o gol do Inter, gol do Adriano Gabiru. Não teve jeito para o Barcelona, aquele dia era nosso, 17 de dezembro de 2006 era o dia de todos os colorados baterem no peito e falar:

Hoje o mundo é vermelho.

Fernandão ergue a taça. Inter campeão mundial

Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense – Pintando o Planeta de Tricolor

Em 11 de dezembro de 1983, Renato Gaúcho e o Grêmio tomaram o mundo

*Por Gregory Pastori

11 de dezembro de 1983, Tóquio, Japão. Inverno rigoroso, não desses como faz no Rio Grande do Sul, mas próximo, campo seco que prejudicava o toque de bola. Foi nessas condições que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ou simplesmente o Grêmio, enfrentou o Hamburgo na disputa do seu primeiro Título Mundial. À época o torneio se chamava Copa Europeia/ Sul-Americana ou mesmo Copa Intercontinental, mas a FIFA reconhece os títulos daquela época como de campeões mundiais, então não me cabe discordar.

O Grêmio chegava ao Mundial depois de vencer a segunda Copa Libertadores da América que havia participado, passando por times como Estudiantes e América de Cali e disputando a final em um jogo lotado no saudoso Olímpico, contra o gigante Peñarol, que até então já havia vencido 3 Mundiais e 4 Libertadores.

No jogo de ida o Tricolor conseguiu sair vivo do estádio Centenário, trazendo na bagagem um empate por placar mínimo, que poderia ser considerado uma vitória diante do peso que o Peñarol já tinha em competições internacionais.

Na volta, com o Olímpico lotado e pulsando, empurrando o time que abriu o placar com Caio, mas sofreu o empate na segunda etapa. O time dos pampas não se intimidou e conseguiu ampliar o placar para se sagrar Campeão da Libertadores, em um jogo típico da competição, marcado por jogadas violentas, que tiraram sangue, literalmente, dos jogadores, como mostra a clássica foto de De Léon erguendo a taça.

De Léon mostrando que as vezes Libertadores se resolve com sangue

A equipe Tricolor já vinha de um trabalho consolidado, tendo chegado ao vice-campeonato brasileiro de 82 e alguns jogadores já estavam na equipe há uma década, como o atacante Tarciso que chegou ao time em 1973, vindo do América -RJ. Um pouco depois, em 1979, vindo do Esportivo de Bento Gonçalves, chegou aquele que para muitos torcedores é o maior Ídolo do clube, um ponteiro direito, que arranjava tanta confusão fora do campo, quanto era bom dentro dele, Renato Portaluppi.

Do outro lado do muro

O Hamburgo de Ernst Happel

No início da década de 80 o time do Hamburgo era uma das grandes forças dentro da Europa, sendo a base da seleção da Alemanha Ocidental além de já ter ganhado seis vezes o campeonato nacional. Em 83 a equipe liderada por Ernst Happel venceu a Liga dos Campeões com apenas uma derrota, somando seis vitórias e dois empates, derrubando o Juventus da Itália que já havia vencido 20 vezes o campeonato nacional.

O Jogo

Times entrando no Estádio Nacional de Tóquio

Como era de se imaginar o Hamburgo jogava com sua frieza e tranquilidade tradicionais no inicio do jogo, dominando o meio campo e acelerando no ataque, porém parando na boa zaga do Grêmio, composta por Baidek e De Léon. Muito nervoso no início o Grêmio errava muitos passes e não conseguia desenvolver as jogadas.  Com o jogo bem disputado, a primeira chance de gol veio aos 20 minutos, quando Magath cruzou para Hansen que vinha entrando na área, porém novamente De Léon se impôs e afastou o perigo. Na sequência, Hansen de novo entrou área a dentro e mais uma vez a zaga salvou.

Só aos 31 minutos o Grêmio conseguiu chegar ao ataque em jogada de Renato Portaluppi, que em velocidade foi até a linha de fundo e cruzou para a área, fazendo com que a zaga alemã afastasse o perigo para escanteio. Na cobrança, Mário Sérgio quase marcou um gol olímpico, mas ficou só no quase.

Porém logo ali adiante, sete minutos depois, após o Hamburgo ter chego no ataque, Paulo Roberto desarmou e acionou Paulo César Caju que lançou para Renato, de novo ele, que vinha pela direita. Mais uma vez Renato levou a bola até a linha de fundo, já dentro da área adversaria, fintou como se fosse fazer o cruzamento, deslocando o marcador da jogada e já quase sem ângulo soltou a bomba. A bola passou onde só ela poderia passar, entre o goleiro Stein e a trave, balançado as redes do Hamburgo. Ainda houve tempo pro Hamburgo tentar uma reação no final do primeiro tempo, obrigando o goleiro Mazzaropi a fazer mais uma defesa gigante.

Jogadores comemoram o belo gol de Renato

No segundo tempo, o Grêmio melhorou de ritmo e já aos 2 minutos Mário Sérgio cruzou para Paulo César Magalhães que livre, dominou e chutou meio sem ângulo, mas a zaga adversária ainda desviou.

Os alemães continuavam a dominar o meio-campo, mas não conseguiam transformar esse domínio em ataque. Enquanto isso o tricolor empilhava tentativas, sem sucesso de ampliar o marcador.

Quando o jogo já passava dos 40 minutos da etapa complementar, o lance derradeiro que quase apagou o ânimo dos gremistas. Bonamigo tocou a mão na bola e o juiz marcou falta. Na cobrança Magath, que até então vinha sendo destaque no jogo pelo lado alemão, levantou na área para Jakobs que cabeceou na pequena área escorando a bola para Schroder, que dominou e balançou a rede do lado tricolor. O Grêmio ainda tentou uma reação nos minutos finais, como era característico da garra do Imortal Tricolor mas, sem sucesso. A decisão seria na prorrogação.

O Grêmio bem que tentou, mas não evitou a prorrogação

Nos últimos e derradeiros minutos, o Grêmio com folego de garoto voltou voando para tentar matar o jogo e logo aos três minutos, novamente ele, o craque Renato, recebeu bola de Tarciso, e de canhota, tirando o goleiro da jogada, ampliava o marcador e comemorando como se não houvesse amanhã.

O Hamburgo ainda tentou buscar o empate, mas Mazzaropi, inspirado, fez outra bela defesa. Por fim o time do lado de lá do oceano não conseguiu empatar, quiçá virar a partida e o Grêmio se sagrava Campeão Mundial.Depois de passar a década de 70 vendo o rival conquistar estaduais, e Brasileiro invicto, o Mundial veio para apagar essa parte obscura da história do Tricolor e coroar as conquistas que a equipe vinha trabalhando para alcançar. Depois de bater na trave no Campeonato Brasileiro de 82, o ano de 83 serviu como redenção para o Grêmio que conquistava o mundo pela primeira vez.

Grêmio campeão mundial de 1983

Clube de Regatas do Flamengo – Botando os Ingleses na roda

No nosso segundo texto sobre os times campeões mundiais e no aquecimento para o jogo de logo mais, o incrível Flamengo de 1981

*Por Victor Carneiro

Os primeiros passos

É impossível falar do Flamengo de 1981 sem relembrar o papel decisivo do brilhante treinador Cláudio Coutinho. Conhecido como uma das grandes mentes da história do futebol brasileiro, Coutinho tinha um grande comprometimento com a disciplina tática e era um defensor da europeização dos métodos futebolísticos. Ele foi um inovador e, com ajuda da base rubro-negra, conseguiu montar um time repleto de craques, como Zico, Leandro, Júnior, Adílio, Andrade e companhia, e que jogava um futebol inteligente e agressivo. Por mais que o técnico do título mundial tenha sido Paulo César Carpegiani, o próprio reconhece que Coutinho foi o arquiteto do sucesso rubro-negro.

Embora o mundial tenha vindo apenas 3 anos depois, muitos rubro-negros consideram que a história do título tenha começado a se desenhar no ano de 1978, mais especificamente no dia do título carioca contra o Vasco. Naquele 3 de dezembro, o Flamengo ganhou de 1×0 de seu maior rival, com gol de cabeça de Rondinelli, o zagueiro conhecido como “Deus da Raça”. Foi o primeiro título da era Coutinho, e abriu as portas para muito mais. Em 1979 o Flamengo foi tricampeão carioca, já que ganhou os dois estaduais daquele ano (a edição normal mais uma edição especial que teve naquele ano), mas ainda não havia conseguido conquistar glórias além do Rio. Em 1980 foi a vez de conquistar o Brasil: a equipe de Cláudio Coutinho foi campeã brasileira após uma vitória épica por 3 a 2 em cima do Atlético-MG. Naquele dia a equipe da Gávea se tornou a última das 4 grandes cariocas a sair do regionalismo e finalmente conquistar um título de expressão nacional.

A campanha na Libertadores

                Por discordâncias com a diretoria do Flamengo, Cláudio Coutinho acabou saindo em 81 e deixou seu trabalho para Paulo César Carpegiani. Ex-jogador, Carpegiani havia acabado de se aposentar como jogador no Flamengo depois de 1980, graças a uma séria lesão no joelho. Ele abraçou as metodologias de Coutinho e manteve o time em boa fase.

                Na Libertadores daquele ano apenas o primeiro colocado de cada grupo classificava-se para a fase final. No grupo do Flamengo estavam Atlético-MG, Cerro Porteño e Olimpia. Após jogos de ida e volta entre todos esses times, Flamengo e Atlético-MG empataram na liderança com 8 pontos cada. Assim, foi marcado um jogo extra, de desempate, entre as duas equipes. Esta decisão ficou marcada pela atuação desastrosa de José Roberto Wright, que aos 37 minutos do segundo tempo, num jogo pegado, acabou expulsando um jogador do Atlético-MG e na confusão gerada após essa primeira expulsão perdeu a cabeça e expulsou outros 4 atletas do Galo. Dessa forma polêmica o Flamengo avançou para as fases finais. Polêmica, aliás, era uma palavra chave nas Libertadores do século XX e elas ainda voltariam a aparecer na grande final, dessa vez contra o Flamengo.

                Naquela época a fase de semifinal era outra fase de grupos, dessa vez com 3 times, e novamente com apenas o líder passando. A equipe rubro-negra não teve problemas nesta fase e passou tranquilamente por Deportivo Cali e Jorge Wilstermann, ganhando todos os 4 jogos. Na outra chave quem passou foi o Cobreloa, clube de ascenção surpreendente que apenas no seu quarto ano de história já estava numa final de Libertadores. O clube era patrocinado por uma empresa estatal de cobre (para os que não sabem, o Chile é de longe o maior exportador de cobre do mundo) e recebia muito dinheiro do Estado, o que permitiu um crescimento tão rápido.

Os 36 dias de glória

                Do dia 8 de novembro até 13 de dezembro de 1981, o Flamengo vivenciou os 36 dias mais felizes da vida de seus torcedores. Neste período o clube da Gávea jogou 11 jogos, conquistou 3 títulos e revidou uma goleada histórica contra um de seus rivais. É impossível contar a história desse time sem falar no que aconteceu nesse período.

                No primeiro dos 11 jogos, o Flamengo encontrou o Botafogo pelo carioca, rival que nove anos antes o havia goleado por 6×0. O próprio Zico dizia que ele jogava em uma intensidade diferente contra o Botafogo pois tinha esta e outras goleadas entaladas na garganta. Naquele dia o Flamengo abriu 4×0 no primeiro tempo e, após gol de pênalti de Zico no segundo tempo, a torcida passou a pedir mais um. A partir dali parecia que quem estava perdendo era o rubro-negro, que partiu para o ataque, enquanto seu rival se retrancava. Contudo, a postura defensiva alvi-negra não foi suficiente e aos 42 minutos do 2º tempo Andrade fez o sexto da entrada da área. Aquele foi o começo do mais glorioso período de todos os tempos e, segundo Júnior, a goleada foi tão comemorada quanto qualquer título da época.

                Depois dessa partida o Flamengo ganhou de 6 a 1 do Americano também pelo Campeonato Carioca, até que no jogo seguinte começou a decisão da Libertadores. Flamengo e Cobreloa se encontraram no Maracanã, onde a equipe da Gávea saiu vitoriosa por 2 a 1, com 2 de Zico. Neste jogo deu para começar a sentir a tônica que o time Chileno queria imprimir naquela final. Zico saiu de campo reclamando bastante das pancadas que levou. Chegou a perder o dente numa cotovelada. Aquele era visivelmente um time agressivo.

Antes do jogo de volta ainda teve um Fla-Flu no carioca, no qual o rubro-negro saiu vitorioso por 3 a 1. Dali, o Flamengo foi para o Chile. Para quem não está familiarizado com a história da América Latina, em 1981 o Chile estava sob a ditadura de Augusto Pinochet. O Brasil também vivia em Estado de exceção, porém o período foi muito mais brutal para a população chilena, que viveu a mais bárbara e repressiva das ditaduras militares da época. Foi neste ambiente e num clima de nacionalismo extremado que torcidas de vários times chilenos se uniram para torcer pelo jovem clube patrocinado pela extração de cobre. O que foi vivido em Santiago naquele dia foi um clima de guerra. Segundo alguns jogadores do Flamengo a sensação era que se saíssem campeões daquele estádio, talvez não saíssem vivos. Liderados pelo zagueiro Mário Soto, que chegou a jogar com pedra na mão, os chilenos bateram muito nos atletas rubro-negros, com a complacência do juiz, que quando tinha sua atenção chamada por algum jogador, dizia que ele deveria revidar. Uma das cenas que melhor refletem o clima daquela partida foi o momento logo após o gol do Cobreloa (a partida terminou 1 a 0 para eles). Um fotógrafo entrou em campo e celebrou na cara de Júnior, que tomado pela raiva chutou a câmera do mesmo. Nisso um soldado chileno entrou em campo, apontou a metralhadora para ele e a deixou engatilhada. Felizmente fora algumas poucas lesões nada demais aconteceu e o Flamengo pôde ir para o terceiro jogo (de desempate) sem sofrer nenhuma tragédia.

Em 23 de Novembro de 1981, o Flamengo e o Cobreloa viajaram para Montevidéu, onde se enfrentaram no Estádio Centenário. Depois de uma verdadeira guerra em Santiago, o Flamengo entrou no jogo decisivo determinado a focar no futebol. Foi deste jeito que o Flamengo ganhou de 2 a 0, com mais um show de Zico, autor dos 4 gols do Flamengo na fase decisiva da Libertadores. Para muitos, o melhor momento do jogo inclusive nem foram os gols, mas sim quando o atacante reserva Anselmo entrou em campo nos minutos finais apenas para dar um grande soco na cara de Mário Soto, que perdeu alguns dentes. Uma verdadeira vingança. O Flamengo, com apenas 9 jogadores em campo, terminava a partida como campeão da América e classificado para o Mundial.

Antes do mundial, todavia, o Flamengo ainda tinha compromissos com o campeonato carioca. Apenas 48 horas depois da final da Libertadores entrou em campo contra o Volta Redonda e conquistou o terceiro turno da competição após uma vitória por 5 a 1. Tudo parecia perfeito, até que Cláudio Coutinho, a mente que criou aquele time, morreu afogado pouco antes de ver o maior momento da história rubro-negra se concretizar. Em meio a superação do luto, o Flamengo ainda tinha que decidir o título estadual contra o arquirrival Vasco antes de viajar para Tóquio. Em 6 de dezembro de 1981, 7 dias antes do Mundial Interclubes, o Flamengo bateu o Vasco por 2 a 1 e mais uma vez conquistou o Rio.

O Mundial Interclubes

                Em 13 de dezembro de 1981, o último dos 36 dias, Flamengo e Liverpool se encontraram para brigar pelo mundo. O atual campeão das Américas, que começava a empilhar títulos no Brasil, contra o campeão de 3 das últimas 5 edições da Liga dos Campeões da UEFA. No entanto, aquele que parecia o maior desafio do período acabou sendo talvez o mais tranquilo deles. Com pouco conhecimento por parte dos Europeus sobre como jogava a equipe liderada por Zico, o Flamengo os deixou atordoados e logo no primeiro tempo abriu 3 a 0. No segundo tempo apenas teve o trabalho de manter o placar igual e pôde se consagrar como campeão mundial pela primeira vez. Há quem diga que os jogadores do Liverpool entraram com salto alto e há relatos de que quando o Flamengo entrou em campo, jogadores do Liverpool riram com desdém, como quem acreditava que seria fácil. Independente disso, o fato é que em dezembro de 81 o Flamengo botou os Ingleses na roda e o 3 a 0 no Liverpool ficou marcado na história.

SANTOS FUTEBOL CLUBE – O PRIMEIRO BRASILEIRO BICAMPEÃO MUNDIAL

Começando a série sobre os campeões mundiais, vamos falar sobre o time que encantou o mundo nos anos 60

*Por Giovanni Romão

O ano era 1962, e a seleção brasileira alcançara o seu bicampeonato mundial no Chile em 17 de junho. O futebol brasileiro estava em alta, com grandes nomes que jogavam em solo verde e amarelo como: Djalma Santos e Ademir da Guia (Palmeiras), Nilton Santos, Didi, Amarildo e Garrincha (Botafogo) e o eterno quinteto mágico da Vila Belmiro composto por Dorval, Melgávio, Pelé, Pepe e Coutinho.

Porém, ainda faltavam duas conquistas para o futebol nacional: a recém-criada Copa Libertadores da América e a Copa Intercontinental (atualmente Mundial de Clubes). No primeiro, o Brasil ficou muito de conquistar logo na segunda edição da competição, com o Palmeiras chegando a final, mas sendo derrotado pelo Peñarol do Uruguai, que viria faturar seu bicampeonato. Vivendo uma época mágica no futebol mundial, o Santos de Pelé e cia ficou encarregado de trazer ao Brasil o primeiro troféu da libertadores.

Na final, o peixe enfrentou o mesmo Peñarol, carrasco palmeirense da final anterior, e que almejava seu 3° título seguido. A primeira partida da final foi disputada em Montevidéu, em 28 de julho, com vitória santista por 2 a 1 de virada, ambos feitos por Coutinho. O segundo jogo ocorreu em 02 de agosto, na Vila Belmiro, que terminou em vitória para os uruguaios por 3 a 2. Sendo assim, foi realizado um jogo extra, no Estádio Monumental de Nuñez, na Argentina, para decidir o campeão da américa em 1962. O jogo foi disputado em 30 de agosto, e terminou com vitória alvinegra por 3 a 0, gol contra do meia Omar Caetano e dois de Pelé. O Brasil conquistava pela primeira vez o continente sul-americano. Agora restava conquistar o mundo.

1962 – A PRIMEIRA ESTRELA DOURADA

Santos x Benfica se enfrentando em 1962

O encontro de Pelé com Eusébio

O adversário santista na Copa Intercontinental seria o Benfica de Portugal, que conquistara seu bicampeonato da Taça dos Clubes Campeões Europeus (atual UEFA Champions League) em cima do Real Madrid com uma vitória por 5 a 3. O primeiro jogo seria disputado no Maracanã (Brasil) e o segundo no Estádio da Luz (Portugal). O confronto marcava o encontro da geração santista com a geração portuguesa, o grande embate entre Pelé contra Eusébio, vulgo Pantera Negra.


Gylmar; Lima, Mauro, Zito, Dalmo; Zito, Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pepe e Pelé, técnico: Lula Pereira. Time-base de um dos maiores esquadrões da história do futebol.

O jogo da volta aconteceu em 11 de outubro, no Estádio da Luz, em Lisboa. Enquanto todos aguardavam mais um jogo sendo decidido nos detalhes, o que foi visto foi um passeio do 11 santista em Portugal, que venceu por 5 a 2 na casa do adversário, com direito a hat-trick de Pelé, levando o Santos a se sagrar campeão mundial de 1962. Era a primeira conquista brasileira na competição.


Fichas técnica – Copa Intercontinental 1962

19/09/1962 – Santos 3 x 2 Benfica-POR
Gols: Pelé aos 31min do primeiro tempo; Santana aos 14min, Coutinho aos 19min, Pelé aos 41min e Santana aos 42min do segundo tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Árbitro: Ruben Cabrera (Paraguai)
Renda: Cr$ 31.205.110,00
Público: 86.047 pagantes, total de 94.129
Santos: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: José Rita; Angelo, Humberto, Raúl e Cruz; Cavem e Coluna; José Augusto, Santana, Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera.

11/10/1962 – Benfica-POR 2 x 5 Santos
Gols: Pelé aos 17min e aos 27min do primeiro tempo; Coutinho aos 3min, Pelé aos 20min, Pepe aos 32min, Eusébio aos 41min e Simões aos 44min do segundo tempo.
Local: Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal.
Público: 73.000 aproximadamente
Árbitro: Pierre Schinter (França)
Santos: Gilmar; Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Cavem e Jacinto, José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.

1963 – A SEGUNDA ESTRELA DOURADA

Repetindo a temporada anterior, o Santos voltou a se sagrar campeão da libertadores, sendo essa a segunda seguida, ao derrotar o Boca Juniors na grande decisão. O jogo de ida aconteceu em 04 de setembro, no Maracanã, terminando em vitória alvinegra por 3 a 2, com gols de Coutinho (2) e Lima. A volta aconteceu em 11 de setembro, na La Bombonera, em dia que se tornou histórico para o futebol brasileiro, pois com a vitória santista de virada por 2 a 1 (gols de Coutinho e Pelé), essa foi a primeira vitória brasileira em torneios oficiais no estádio do Boca Juniors, e até hoje o único brasileiro a erguer o título da libertadores em plena La Bombonera.

Pelé e Giovanni Trapattoni (Acervo Santista)

O adversário santista na grande decisão seria o Milan, que também vivia uma fase mágina na Europa e conquistara seu primeiro título europeu, desbancando o forte Benfica de Eusébio na decisão, em Wembley. Esse seria mais um confronto que prometia fortes emoções, pois colocava a já consagrada geração santista contra a geração italiana formada por Mazzola, Maldini, Rivera, Trapattoni e do brasileiro Amarildo.

O primeiro embate aconteceu no Estádio Giuseppe Meazza, em Milão, em 16 de outubro, terminado com vitória da equipe italiana por 4 a 2, e parecia que tudo iria por água abaixo, isso porque Pelé se lesionou na primeira partida, ficando de fora do jogo da volta. A segunda partida aconteceu em 14 de novembro, no Maracanã lotado para um jogo que seria histórico ao alvinegro praiano. Após estar saindo atrás do placar por 2 a 0, o time santista não abaixou a cabeça e foi em busca da virada. Em 20 minutos, o Santos virou o jogo para 4 a 2, gols de Pepe (2), Almir Pernambuquinho e Lima. Mesmo sem Pelé, o capitão Zito e Calvet, e enfrentando uma forte chuva que caíra no Rio de Janeiro nesse dia, o peixe forçou a realização do jogo de desempate, que seria realizado novamente no Maracanã.

E chegou o grande dia! 16 de novembro, novamente no Maracanã, o Santos que jogava sem a ilustre presença de Pelé, enfrentou o Milan no jogo derradeiro.  Aos 31 minutos da primeira etapa, Almir Pernambuquinho foi derrubado por Maldini dentro da área, sendo assinalado pênalti para o alvinegro praiano. O lateral-esquerdo Dalmo converteu a penalidade, que daria o histórico bicampeonato ao Santos Futebol Clube.

Elenco santista comemorando o bicampeonato mundial no Maracanã

Entretanto, o torcedor santista lembra com carinho desses títulos que foram fundamentais para colocar o futebol brasileiro na prateleira de grande força no cenário mundial, e também porque marcou a época onde os europeus também valorizavam a competição, e tínhamos grandes embates entre sul-americanos e europeus, com grande destaque para a realização das partidas de ida e volta, algo que durou até 1979, no ano seguinte começaram as decisões serem realizadas em jogo único no Estádio Olímpico de Tóquio.

Fichas técnica – Copa Intercontinental 1963

16/10/1963 – Milan-ITA 4 x 2 Santos
Gols: Trapattoni aos 3min e Amarildo aos 15min do primeiro tempo; Pelé aos 10min, Amarildo aos 23min, Mora aos 37min e Pelé de pênalti aos 39min do segundo tempo.
Local: Estádio San Siro, em Milão, Itália.
Público: 51.957 pagantes
Renda: Cr$ 280.000.000,00
Árbitro: Alfred Haberfellner (Áustria)
Milan: Ghezzi; David, Trapattoni, Maldini e Trebbi; Pelagalli e Rivera; Mora, Lodetti, Altafini e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia
Santos: Gilmar; Lima, Haroldo, Calvet e Geraldino; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

14/11/1963 – Santos 4 x 2 Milan-ITA
Gols: Mazzola aos 12min e Mora aos 17min do primeiro tempo; Pepe aos 5min e aos 22min, Almir aos 9min e Lima aos 18min do segundo tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Público: 132.728 pagantes (150.000 pessoas)
Renda: Cr$ 98.075.500,00
Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)
Santos: Gilmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula
Milan: Ghezzi; Davi, Maldini e Trebi; Trapattoni e Pelagalli; Mora, Lodetti, Rivera, Mazzola e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia

16/11/1963 – Santos 1 x 0 Milan-ITA
Gol: Dalmo de pênalti aos 34min do primeiro tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Público: 120.421 pagantes + 8.835 gratuitos (129.252)
Renda: Cr$ 91.546.000,00
Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)
Expulsos: Maldini e Ismael
Santos: Gilmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula
Milan: Balzarini (Barluzzi); Davi, Maldini e Trebi; Trapattoni e Pelagalli; Mora, Lodetti, Fortunato, Mazzola e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia
– Ocorrências: No primeiro tempo a partida esteve paralisada por dez minutos e meio, sendo três quanto a expulsão de Maldini e dois e meio na expulsão de Ismael, e, cindo devido a desentendimentos. Juan Brozzi descontou o tempo corretamente.

Créditos as fichas técnica: Acervo Histórico do Santos FC


Jornal destacando o título santista sobre o Milan (Foto: Bruno Gutierrez)

O que podemos esperar do São Paulo em 2020?

Com elenco milionário e dívidas na casa dos 77 milhões, como o São Paulo pode evitar de se tornar um novo Cruzeiro?

No futebol cada vez mais financeiro que vivemos hoje, o São Paulo por conta de más administrações, vive uma sinuca de bico. Deverá escolher entre montar elencos modestos e se acertar financeiramente, o que aumentará a seca de títulos ou arriscar tudo e montar um elenco endinheirado, o que pode trazer riscos futuramente.

Devendo 77 milhões como mostrado no último balancete, o tricolor terá ano que vem, pelo menos 54 milhões para receber. Os 30 milhões da cota fixa da Série A e mais 24 milhões pelo desempenho no certame deste ano.

Se caso a Conmebol manter as cotas atuais para a Libertadores, mais 11 milhões entrarão ao caixa, graças a classificação para a fase de grupos. Mesmo totalizando 65 milhões em receitas, o que pode aumentar por conta de patrocínios e sócio torcedor, a conta não irá fechar e certamente jogadores terão que ser vendidos.

Fernando Diniz, certamente perderá jogadores para o ano que vem

O principal erro são os salários poupudos para jogadores com desempenho bem abaixo do esperado. Jucilei (800mil), Pato (1,3M) encabeçam a lista das caras decepções.

Pato não entregou o que prometeu esse ano

Nesse cenário, uma boa opção seria seguir o exemplo feito por Bandeira de Mello no Flamengo. Enxugar o elenco e arrumar a casa financeiramente. Porém, a seca de títulos e as continuas vergonhas em clássicos e em competições em geral, colocam em xeque essa opção, pois com um elenco mais ‘humilde’ a curto e médio prazo, o São Paulo não seria páreo para times mais organizados como Palmeiras, Flamengo e Grêmio e os frutos (títulos) só seriam colhidos em 3 ou 4 anos. A torcida terá mais paciência? A base trará a competitividade necessária? São perguntas que a diretoria não é capaz de responder.

Outro cenário é cair no erro em que muitos, para não dizer todos os times do Brasil já caíram.

Gastar o que não deve, se endividar até o talo, ganhar muitos títulos nos proxímos 2 anos, ter que usar as milionárias premiações para tentar conter a sangria no caixa, pedir adiantamento de cotas da TV, se afundar de vez nas dívidas, flertar com rebaixamento até, a inevitável hora em que ele virá.

Desastres como o do Cruzeiro, do Inter em 2016 e vários outros, são frutos de elos numa corrente que lentamente vão se fechando para formar uma mancha negra na história do clube. Basta saber qual a opção da diretoria do São Paulo.

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