O que fazer com os estaduais?

Entra ano e sai ano, eles sempre abrem o nosso calendário no futebol. Tradição a ser mantida? Obstaculo descartável? O que fazer?

2020 vem aí e com ele os campeonatos estaduais para abrir o calendário. Uma tradição que hoje é exclusivamente nacional, o que antes era valorizado até mais do que a Libertadores, hoje virou uma pedra no sapato para os clubes, tvs e até para a CBF.

Assenção e queda

A criação desses certames e o seu sucesso até meados dos anos 2000, mostrava a falta de identidade do brasileiro com o seu país e o gritante atraso tecnológico e logístico que assolou e ainda assola algumas regiões brasileiras.

Em 1902, uma viagem de trem entre São Paulo e Rio de Janeiro, levava 9 horas (contra os 30 minutos de avião hoje). Talvez com isso em mente, ou apenas por bairrismo, Charles Muller criou a LPF (Liga Paulista de Foot-Ball) e com ela veio o primeiro Campeonato Paulista. Em 1905, surgiu o baiano e no ano seguinte, o carioca. Isso criou uma corrente irreversível. O futebol brasileiro cresceria regionalmente e não nacionalmente como na Argentina onde o seu campeonato nacional data de 1891.

O São Paulo Athletic Club (SPAC) de Charles Muller, foi o primeiro campeão estadual do Brasil em 1902

Apenas com a criação de um campeonato nacional sério em 1971, os estaduais foram muito lentamente perdendo terreno, mas foi apenas com os pontos corridos no Brasileiro em 2003, que veio o declínio.

O dinheiro e a necessidade

Nos grandes centros, os times maiores jogam assumidamente pelo dinheiro. A Globo ainda paga pelos direitos de transmissão. Assim os clubes menores do interior também se beneficiam, pois recebem uma parte do montante.

Mas essa realidade está mudando. A Globo percebeu que jogos como São Paulo x Mirassol, numa quarta-feira as 21h30 não atraem audiência (Na tabela de jogos transmitidos pela Globo para 2020, apenas 1 de 12 será numa quarta). Some isso as enormes quantias que a Copa do Brasil, Libertadores e as cotas televisivas/desempenho do Brasileirão pagam e fica fácil notar que nem a TV e os times grandes tem interesse. Para 2020, o Flamengo recusou os 15 milhões da Globo pelo Campeonato Carioca e como não houve interesse da emissora em aumentar a proposta, certamente o atual campeão do torneio, do Brasileiro e da Libertadores ficará de fora da tv.

Para os pequenos, a grana também já não está valendo a pena, o futebol fica mais caro a cada dia que passa e vários clubes do interior estão virando empresa ou firmando parcerias com empresas para se fortalecer financeiramente. Então a competição fica totalmente desinteressante, sustentadas por federações estaduais que somente pelo seu enorme poderio político na CBF, consegue banca-los.

Se nos grandes centros, o estadual é um estorvo, ele ainda é o carro chefe em vários estados isolados e sem tradição no futebol, principalmente na região norte e centro oeste.

Devido ao pesadelo logístico que é chegar em estados como Rondônia, Amapá, etc. as cidades ainda são bastante isoladas, fazendo com que seus times sejam relevantes apenas em cenário local, em competições anonimas até para os moradores da região.

Como lidar com o problema?

Existem vários pontos de vista em como lidar com o calendário nacional. Desde os mais radicais, que querem a extinção dos estaduais e um calendário padrão europeu de Agosto a Maio, até proponentes saudosistas de uma expansão dos estaduais que entrariam por todo o 1° semestre e um Brasileiro mata-mata no 2°.

No meu ponto de vista, adotar o calendário europeu, é um eurocentrismo estúpido por que ele é adotado lá, com base puramente climática, que é diferente do daqui. Assim como é estapafúrdia a ideia de querer voltar aos anos 90 e expandir os estaduais.

O que poderia ser feito é a criação de novas divisões do Brasileiro, regionais, que seriam o que hoje são as divisões inferiores dos estaduais. Assim todos os times do país teriam calendário o ano todo e mais força, já que não precisariam fechar em junho e deixariam de participar de um campeonato deficitário.

Os campeonatos estaduais, poderiam ser torneios de pré temporada, de tiro curtíssimo (com não mais que 8 datas) que apenas serviria de preparação para as divisões do Brasileiro.

Publicado por Pedro Henrique

Meu nome é Pedro Henrique, também conhecido como grunge, vamos falar sobre muitos esportes aqui na pagína. Fiquem ligados!

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